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15 setembro 2019

Se há uns anos me dissessem que um dia eu teria vontade de fazer as malas e partir, eu iria sorrir, esquecer o comentário e prosseguir com a minha vidinha.
Quão imprevisível é, contudo, a vida…
Todos os meses vejo pessoas a partir. Decididas. Corajosas. Fartas de um país que pouco apoia quem trabalha e quem quer lutar por uma vida melhor. Cansadas de um país que não protege a natalidade nem a educação dos filhos. Receosas deste país em que temos cada vez mais medo de adoecer e envelhecer.
E, a grande maioria que eu conheço, é gente muito válida, esforçada e trabalhadora, mas que não aguenta mais as náuseas de viver num país que se esqueceu das suas pessoas e em que quase parece proibido ter sonhos e ambições.
O que nos falta entregar a este país em nome da austeridade? Já lhe entregámos os nossos subsídios e a nossa esperança. Já lhe entregámos tantas famílias que Portugal separou e incitou a partir. Já lhe entregámos tanto, mas nada parece ser suficiente.
Aqui em casa, já há malas que estão a ser preparadas, escondem-se lágrimas e antecipam-se saudades. Quanto a mim, tenho cada vez mais vontade de arrumar as minhas trouxas e ir embora também. Desiludida, embora não vergada, mas sem vontade de contrariar esta determinação enorme que me consome e me dá vontade de, também eu, partir.
(texto publicado a 23 de maio de 2013)

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