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07 março 2021

Love is on my side

março 07, 2021 0
Love is on my side

Foto Sapo 24

Os Black Mamba ganharam o Festival da Canção e estão de parabéns. Agora, esperam-se os críticos do costume que vão começar a destilar veneno nas redes sociais- ai que a canção é em inglês, ai que mal vestida estava a Carolina, ai que não se faz nada de jeito em Portugal...

Confesso-me cansada de tanto azedume e o problema é que a maioria das pessoas que critica se calhar nem esteve a ver o belo espetáculo que foi o Festival da Canção e preferiu estar a ver o Big Brother ou uma novela no canal concorrente.

Ainda ontem a minha amiga Mafalda dizia que parece que há em cada português vários ao mesmo tempo- dominam todas as matérias e sabem tudo sobre epidemiologia, ensino, medicina, música, moda e cinema... Eu, professora de Inglês, penso que sei de metodologias de ensino de uma língua estrangeira, mas mesmo assim é raro o dia em que não tenha dúvidas.

Os Black Mamba ganharam o Festival com uma canção em inglês e depois? Eu gostei da canção que foi inspirada na história verídica de uma mulher que a banda conheceu em Amesterdão durante a digressão de 2018. "Esta é a história dela. Saiu dos países do leste cheia de sonhos, cheia de paixões, depois teve problemas de toxicodependência que a levaram à prostituição. Apesar de a vida ter sido tão chunga para ela, ela sempre acreditou que o amor sempre esteve do seu lado. A história é essa história" (ler mais aqui) e vou torcer por ela.

São tempos duros e não precisamos de mais azedume, de mais dizer mal só por dizer, de mais amargura na voz. Olhemos para dentro, critiquemos menos e façamos, em português ou inglês, o amor estar do nosso lado.

18 fevereiro 2021

Sigamos o sol!

fevereiro 18, 2021 0
Sigamos o sol!


Andamos todos à espera que a pandemia passe, que possamos voltar aos abraços, que  possamos fazer malas e voar, que nos possamos libertar deste medo que nos afasta dos outros, que possamos voltar a um nós que, por vezes, parece nunca mais chegar.

Queria ter receitas ou algo a dizer  para vos dar esperança, mas só posso dizer que eu acredito que os dias de sol voltarão.

Tentarei, nesse futuro que vai chegar, ter o coração o mais limpo que conseguir e  reter na memória estes dias difíceis que vivemos-  só assim poderei valorizar um Futuro revestido a toque que chegará.

Para já, neste dia de chuva, sigamos o Sol!

As redes socias e eu

fevereiro 18, 2021 2
As redes socias e eu

2020 foi o ano em que deixei de ter paciência para seguir nas redes sociais quem vive a vida a tentar impingir--nos uma vida que não é verdadeira... Sempre também cansa, não é?
Claro que eu sei que todos o acabamos por fazer em algum momento. Eu própria só mostro o que quero e não vos conto tudo dos meus dias cinzentos e das minhas imperfeições.
Contudo, sou crescida o suficiente para não me deixar enganar por pessoas que num dia são super fãs do Boticário e no outro gostam é dos produtos da Rituals. Ou das que mostram que os produtos da My Label do Continente é que são bons, mas logo a seguir falam maravilhas da Guerlain.
Ou das que nos falam a toda a hora dos produtos do Lidl, ou da manteiga X.
Asseguro-vos que não é inveja e compreendo que quem vive de redes sociais precise de se alimentar e ganhar a vida, mas uma vida e uma imagem sempre cor de rosa acaba por magoar a vista.
Gosto de redes sociais, mas quero fazer as escolhas certas para seguir quem me acrescenta.
Também gosto de filtros, mas preciso de não ir na corrente e de usá-los com moderação. É que sabem, se nao o fizer corro o risco de enganar quem me lê, e mais grave ainda, enganar-me a mim própria.

Fé em dias pandémicos

fevereiro 18, 2021 2
Fé em dias pandémicos

Não sei bem se tinha seis ou sete anos quando fiz a primeira comunhão, mas tenho a certeza de que foi o primeiro momento em que tive consciência da presença de Deus.
Eu e o meu vestido de ir levar as alianças (fui mais do que uma vez), com o fio de ouro oferecido pelo meu padrinho Artur e que eu só usava em dias especiais e com um enfeite no cabelo comprado pela minha irmã que estudava em Leiria. Ainda hoje, quando comungo, procuro a sensação de plenitude que encontrei nesse dia...

Sabem, tenho dias... Uns em que procuro um sinal e não encontro, outros em que vislumbro uma paisagem e tenho a certeza que Deus está ali; certos dias há em que rezo quase como se recitasse um mantra, outros há em me entrego enquanto rezo "seja feito a Vossa vontade".

Não é fácil ter fé, principalmente nestes dias de medo e escuridão.
Cada dia é uma escolha, um decidir o caminho que se pretende seguir, um dizer sim ou não.

Tenho dias de neura, mas o meu Deus que perdoa, que entende e compreende, que ama todos por igual, que não castiga, que me ama com os tantos defeitos que eu tenho, tem me acompanhado na minha jornada e eu ainda não desisti de o continuar a procurar.
A maioria das vezes, encontro-o no lugar mais óbvio- dentro de mim.

29 janeiro 2021

Deus existe e vive em Bruxelas

janeiro 29, 2021 1
Deus existe e vive em Bruxelas

 


Tenho os melhores leitores e por isso, partilho aqui uma novidade. Sei que gostam de mim e se interessam pelas andanças da minha família e não poderia deixar de vos dizer que o Luís está desde segunda-feira em Bruxelas. É uma nova etapa e ainda não sabemos por quanto tempo será, mas a vida é mesmo assim.

Apesar de cada mudança implicar muitas dúvidas e sobressaltos e mesmo sendo este um momento particularmente difícil por as fronteiras estarem fechadas, não nos conseguimos queixar.

Eu sei que há quem diga “com o mal dos outros posso eu bem”, mas é impossível ficar indiferente ao que se passa na frente de cada batalha que é travada nos hospitais, nos lares onde a doença entra, na vida de quem não recebe rendimentos há meses…

“Deus existe e vive em Bruxelas” é apenas o título de um filme. E mesmo com as minhas dúvidas, acredito que Deus vive em Bruxelas, no Sumbe, no Alentejo, em todo e tanto lado e em cada um de nós. Não são tempos fáceis para os crentes, mas acredito que sejam ainda mais duros para quem não tem fé. Quanto a mim, ainda não a perdi.

26 janeiro 2021

Lições da pandemia #1

janeiro 26, 2021 0
Lições da pandemia #1


 Este improvisado banco fica na rua central da minha aldeia. Rara foi a vez que não passei à sua frente e não encontrei pessoas que me conhecem desde tenra idade a quem disse "boa tarde" ou fiz um reparo sobre o tempo.

Desde a pandemia, o banco começou a esvaziar-se.  E há dias ficou ainda mais vazio. 

A Covid tem  roubado vidas,  mas não só. Rouba abraços, oportunidades de consolar os que choram a partida dos seus queridos, empregos, a nossa sanidade até... Seria bom é que não nos tirasse a capacidade de sermos mais empáticos com os que sofrem e que nos fizesse andar mais devagar e prestar atenção ao que importa.

Eu explico onde quero chegar.

Há uns dois anos talvez, ofereci um boné vermelho que tinha em casa ao João, mais de setenta anos, benfiquista assumido que quase todos os dias se sentava no banco. Rara era a vez que o via e ele não estava com o boné...Eu já comentara com a minha mãe que o boné já acusava muito uso e que gostaria de lhe oferecer um original do Benfica. 

Fui ao armário do Miguel, mas como o que ele tinha a mais era de criança, ponderei pedir um  amigo que adivinhava que arranjasse e pensei mesmo em comprar. Adivinham o que vem a seguir, não é?

A correria dos dias e o "tanto para fazer" fez-me esquecer de perguntar ao meu amigo e acabei por não procurar o boné do Benfica em lojas. Fui-me lembrando e esquecendo, lembrando e esquecendo de novo e agora lembro-me todos os dias.


A Covid levou o João e eu deixei passar a oportunidade de fazer algo que realmente me iria acrescentar e fazer feliz.  A culpa de eu ter deixado passar a oportunidade não foi da pandemia, mas viver nestes dias escuros parece que reforça mais a lição. 

Que eu não esqueça. 



14 janeiro 2021

Viver em pandemia

janeiro 14, 2021 2
Viver em pandemia



Sou mãe do Miguel que anda no secundário e do Gonçalo que está no ensino superior.

Sou professora de alunos do quinto, sexto, sétimo e oitavo anos.
Tenho cinquenta anos e uma espécie de guarda partilhada da minha mãe que tem oitenta e um anos (vive uma semana comigo e outra com a minha irmã).
Tenho medos e sou um bocadinho hipocondríaca ( já achei que estava infetada mais de dez vezes).
Relativamente ao fecho das escolas poderia esgrimir argumentos a favor e contra, mas neste momento, em dias tão incertos, eu sou sobretudo dúvida.
Para já, só uma certeza na minha mente- amanhã vou de novo começar o meu dia a pôr álcool gel nas mãos frias dos meus alunos e vou dar-lhes o meu melhor sorriso por detrás da máscara, enquanto os cumprimento com o "Good morning" mais alegre que conseguir.
(e as memórias dos dias bons vão ajudar)

26 dezembro 2020

Renascer a cada dia

dezembro 26, 2020 0
Renascer a cada dia



 Às vezes, tenho medo de começar a cair no exagero e policio-me neste novo caminho em que entrei. Eu explico.

Tenho vindo a ter cada vez mais vontade de menos coisas, de menos barulho, de menos luzes que magoam os olhos, de menos perfumes que entontecem... Pode ter sido da conjugação da pandemia com o ter vivido cinquenta anos, pode ter sido de eu pensar demais nas coisas, pode ser de me deixar talvez influenciar por pessoas que leio...Também não interessa. Hoje sou esta.

Este Natal não comprei, como costumava, mais nenhum adereço natalício para a casa- voltei a usar o que já tinha, fiz argolas para os guardanapos com alecrim, enfeitei jarras com camélias bravas e com o que apanhei no campo e iluminei a casa com velas. Quanto a presentes, também não me perdi- alguns livros, escolhi algo que os meus filhos realmente gostassem, mesmo que eu não achasse graça ( comprar um vinil do Eminem para o Miguel, por exemplo) e fui a pouco original tia que oferece dinheiro aos sobrinhos. Nos doces, cá por casa. para além do bolo-rei, cada um escolheu o doce preferido- aletria para o Luís, baba de camelo para o Gonçalo e leite creme para mim e para o Miguel.

Imagino que, a esta altura, devem estar a pensar que me tornei numa chata de primeira apanha. A verdade é que, sinceramente, acho que não. Continuo a ouvir música alta e a dançar sempre que posso, telefono e mando mensagens a quem não poderia deixar de o fazer, gosto de novidades e de saber sobre livros e filmes novos e ainda me rio muito (sobretudo de mim própria).

Mas tento falar menos e ouvir mais ( e sei que preciso ainda de melhorar esta parte).

Seguir nas redes socias apenas quem realmente interessa e me acrescenta algo.

Ser mais e  pensar em ter menos ( nada fácil e posso comprovar o feito no histórico deste blogue).

Sentir o que me arrepia a pele e ligar cada vez menos ao que me irrita.

Se o caminho está concluído? Ui! Nada disso! Apenas o tento iniciar de novo a cada dia (e com alguns desvios pelo meio).

Aos cinquenta deu-me para isto. Olha, poderia ser pior e ter começado a fumar uma coisas!😀