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31 agosto 2021

A minha mãe e eu

agosto 31, 2021 3
A minha mãe e eu


 

(É das minhas fotos preferidas- está desfocada, mas capta um momento que se estendeu... A minha mãe atenta aos meus passos.)

Lembrei-me da foto ontem e já vos digo porquê.
Eu e a minha irmã temos, como dizemos por graça, uma espécie de custódia partilhada sénior- a minha mãe fica uma semana em casa de cada uma e vai alternando. À quinta-feira, D. Matilde pega na sua sacola de medicamentos e troca de casa.
A maioria dos dias corre bem, mas há alturas em que rezingamos as duas. Ora porque ela quer que eu coma sempre sopa ao jantar e eu prefiro uma salada, ora porque ela insiste no vinagre na alface e eu detesto, ora porque ela põe nitrolusal nas minhas plantas de interior e eu não quero, ora porque ela não quer que o Miguel arrume a loiça na máquina ( "coitadinho do menino"). Temos as duas o nosso feitiozinho, mas nada de grave se passa e tem corrido bem.
Ontem, fomos à missa aqui na Maceira. Ao ar livre, D. Matilde não esqueceu o seu banquinho pois a missa é ao ar livre e cada pessoa deve levar algo para se sentar.
Estávamos a duas de pé e só tínhamos um banco. Na altura em que, de acordo com o ritual, os crentes se sentam, a minha mãe, quase 82 anos, sobrevivente de um cancro, olhou-me e disse:
- Não te queres sentar tu?
E não é preciso escrever mais nada. Numa pergunta, tudo dito.

08 maio 2021

Programa "A nossa Tarde"- como tudo aconteceu

maio 08, 2021 6
Programa "A nossa Tarde"- como tudo aconteceu






Quem me conhece sabe que eu sou de emoções, de nervos à flor da pele e que luto todos os todos os dias   para estar mais atenta aos outros. Uma vez, um quase-namorado disse-me que não poderíamos namorar, porque eu era demasiado intensa e deixava-o desconfortável, e reconheço-lhe alguma razão- tenho dificuldade em viver adormecida.

Tudo isto a propósito do programa " A nossa tarde", da RTP1, onde participei na passada quinta-feira. Eu conto como aconteceu.

A minha mãe é fã número um do canal 1 e adora a Tânia. Ora no confinamento, tal como quem tem filhos pequenos e só vê Canal Panda e Disney Channel, não é difícil adivinhar em que canal estava sempre sintonizada a televisão cá de casa. E a Tânia, os vestidos da Tânia, o sorriso da Tânia e o que se passava no programa era sempre tema de conversa- eu bem que me tentava escapar, mas minha mãe é persistente e comecei a reparar que nesse programa se contavam histórias de vida, mas de uma forma mais positiva.

Uma noite, durante o ensino à distância, depois de corrigir um trabalho que o Rodrigo me enviara, mandei uma mensagem à Tânia Ribas, via Instagram, a dizer-lhe que conhecia um menino, uma família que era inspiradora e que adivinhava que ela iria gostar. Inacreditavelmente, um segundo depois, ela respondeu-me  a pedir para enviar a história para o email do programa.

Contactei a Cláudia, disse-lhe da minha intenção e pedi-lhe autorização. Ela pediu-me tempo para falar com o marido e no dia seguinte, com o seu jeito maravilhoso, respondeu-me que sim, mas que achava que o que fazia não era nada de especial (como se engana).

E assim fiz. Numa noite, escrevi de forma resumida a história de amor que  queria que mais gente conhecesse, e esqueci o assunto, até que me responderam e a aventura começou.

Muitos telefonemas depois, com a equipa de produção a assegurar que seria contada uma história de amor e de luz, e não uma história de dramatismo e cheia de inhos, começou a desenhar-se a meia hora de emoção que se viveu em estúdio.

Pedi autorização à direção da escola e aos pais dos meus alunos, pensei nas pessoas que sei que fazem sentido na história e na vida do Rodrigo e da Cláudia e terça-feira foram gravados os testemunhos que passaram(e dos quais a Cláudia nem suspeitava).

Na quinta-feira,  muito fanhosa, cheia de alergias e sem medicação para não adormecer enquanto conduzisse, depois das aulas dadas, pus-me ao volante, com a Cláudia ao lado. Eu a tremelicar por todo o lado, receosa que a história não fosse contada como imaginava, e ela serena, luminosa, a sorrir o tempo todo, a dizer que ainda não percebia bem porque ia, a dar-me as indicações do GPS para chegarmos a horas.

Chegámos, oferecemos os bolos revestidos a amendoim que são típicos da Maceira e eu acalmei. Contudo, quando a vi sentada no sofá, os meus nervos não pararam de aumentar e, quando me sentei  para falar um bocadinho, as palavras pareciam não sair. Já a Cláudia foi o que sempre é- luz, serenidade, paz e amor (lá está, confirma-se o que o quase- namorado me disse).

Correu tudo bem. A história inspiradora, feita de luz e de amor do Rodrigo, da Cláudia, do Ricardo, da Violeta... foi bem contada. e, não menos importante, os meus alunos tiveram também a homenagem que merecem, porque me ensinam muito a mim e a tantos adultos como é viver feliz com todas as nossas diferenças. Quem viu, dificilmente não se emocionou e aposto que a Cláudia vai inspirar muitas pessoas- a mim, inspira-me todos os dias.

 Valeu muito a pena. Vale sempre a pena falar de amor! Vale sempre a pena dizer que se gosta, elogiar, ser menos amargo e respeitar os outros. Tenho mil defeitos, mas o que nunca terei é o de ser insensível ao que me rodeia. 

Se vocês também conhecerem uma história de luz como a da Cláudia e do Rodrigo, partilhem-na com quem gostam ou, se vos fizer sentido divulgar para mais gente, enviem-na para anossatarde@rtp.pt. Eu não me arrependi de o fazer!


Para quem quiser ver o programa, é só clicar na imagem.





14 abril 2021

Viajar em pandemia

abril 14, 2021 0
Viajar em pandemia

 



A foto é do fim de semana passado.
Uma das exceções previstas para viajar é visitar os cônjuges e eu aproveitei e dei um saltinho a Bruxelas.
Para uma pessoa ansiosa, que constrói sempre os piores cenários, viajar em pandemia não é fácil, mas senti que tinha de ir e preferi ir no fim de semana passado, porque segunda feira volto à escola.
Precisava de ver como é que o Luís estava, a casa em que vive, o local de trabalho... Não para inspecionar nem nada disso, mas porque gosto de conhecer os locais de que o Luís fala, as pessoas com quem convive... Preciso disso, porque sinto que nos mantêm mais próximos.
Uma relação à distância não é fácil, mas é possível. Contudo, temos de ser os dois a querer que resulte, enfrentar medos e ir, sempre que possível, ao encontro um do outro.



Sou da equipa dos medricas e hipocondríacos e não é fácil para mim estar num avião com tanta gente por perto.

A solução que encontrei para lutar contra os meus medos foi usar duas máscaras.
Se custa um bocadinho... Custa. Contudo, para mim, mais difícil mesmo é passar a viagem sem comer (adoro comer nas viagens de avião), mas sou incapaz de tirar a máscara.
A situação na Bélgica não está famosa e eu regressei a casa com receio de poder estar infetada. Estive em isolamento os primeiros cinco dias e fiz teste ao quinto dia (negativo).
Faço o que posso, mesmo sentindo que ando a passar entre os pingos da chuva...
Este vírus é uma roleta russa, não é?

12 março 2021

Perfil falso e a vida acontecer

março 12, 2021 2
Perfil falso e a vida acontecer


Tenho andado um bocadinho mais ausente e tenho fugido do teclado. Não é por falta de assunto nem vontade de me expressar, mas as muitas horas que tenho passado à frente do computador, em aulas ou a corrigir trabalhos, fazem-me ter vontade de, mal eu posso, fechar o objeto com que tenho passado horas nestas últimas semanas.

Por outro lado, mesmo que no início me tenha custado a admitir, o facto de ter andado nas redes socias um perfil falso com a minha fotografia, a pedir alimentos para a família, também me incomodou.
Já não é a primeira vez que acontece, mas desta vez foi muito difícil que o Facebook aceitasse a denúncia. Das outras vezes, bastava eu denunciar e, uma hora ou duas depois, o perfil desaparecia. Desta vez, tive de pedir ajuda a muitos amigos meus e só quase 48 horas depois é que a pessoa retirou a foto.
Soube que este perfil existia porque uma antiga aluna minha me reconheceu e viu que o nome não era o meu. Como disse acima, já aconteceu outras vezes e, quando tal ocorre, fico sempre com vontade de abandonar as redes socias.
Contudo, depois penso melhor e prossigo- é que de facto esta Escritaria e estas minhas partilhas são escapes meus e, enquanto houver pessoas que dizem que lhes faço bem e que acrescento um bocadinho de doçura e alegria aos dia a dia delas, acabo por ter vontade de continuar.
Respirar. Perdoar. Seguir em frente. Respirar de novo e, se possível, com uma respiração completa.
A vida prossegue.

07 março 2021

Love is on my side

março 07, 2021 0
Love is on my side

Foto Sapo 24

Os Black Mamba ganharam o Festival da Canção e estão de parabéns. Agora, esperam-se os críticos do costume que vão começar a destilar veneno nas redes sociais- ai que a canção é em inglês, ai que mal vestida estava a Carolina, ai que não se faz nada de jeito em Portugal...

Confesso-me cansada de tanto azedume e o problema é que a maioria das pessoas que critica se calhar nem esteve a ver o belo espetáculo que foi o Festival da Canção e preferiu estar a ver o Big Brother ou uma novela no canal concorrente.

Ainda ontem a minha amiga Mafalda dizia que parece que há em cada português vários ao mesmo tempo- dominam todas as matérias e sabem tudo sobre epidemiologia, ensino, medicina, música, moda e cinema... Eu, professora de Inglês, penso que sei de metodologias de ensino de uma língua estrangeira, mas mesmo assim é raro o dia em que não tenha dúvidas.

Os Black Mamba ganharam o Festival com uma canção em inglês e depois? Eu gostei da canção que foi inspirada na história verídica de uma mulher que a banda conheceu em Amesterdão durante a digressão de 2018. "Esta é a história dela. Saiu dos países do leste cheia de sonhos, cheia de paixões, depois teve problemas de toxicodependência que a levaram à prostituição. Apesar de a vida ter sido tão chunga para ela, ela sempre acreditou que o amor sempre esteve do seu lado. A história é essa história" (ler mais aqui) e vou torcer por ela.

São tempos duros e não precisamos de mais azedume, de mais dizer mal só por dizer, de mais amargura na voz. Olhemos para dentro, critiquemos menos e façamos, em português ou inglês, o amor estar do nosso lado.

18 fevereiro 2021

Sigamos o sol!

fevereiro 18, 2021 0
Sigamos o sol!


Andamos todos à espera que a pandemia passe, que possamos voltar aos abraços, que  possamos fazer malas e voar, que nos possamos libertar deste medo que nos afasta dos outros, que possamos voltar a um nós que, por vezes, parece nunca mais chegar.

Queria ter receitas ou algo a dizer  para vos dar esperança, mas só posso dizer que eu acredito que os dias de sol voltarão.

Tentarei, nesse futuro que vai chegar, ter o coração o mais limpo que conseguir e  reter na memória estes dias difíceis que vivemos-  só assim poderei valorizar um Futuro revestido a toque que chegará.

Para já, neste dia de chuva, sigamos o Sol!

As redes socias e eu

fevereiro 18, 2021 2
As redes socias e eu

2020 foi o ano em que deixei de ter paciência para seguir nas redes sociais quem vive a vida a tentar impingir--nos uma vida que não é verdadeira... Sempre também cansa, não é?
Claro que eu sei que todos o acabamos por fazer em algum momento. Eu própria só mostro o que quero e não vos conto tudo dos meus dias cinzentos e das minhas imperfeições.
Contudo, sou crescida o suficiente para não me deixar enganar por pessoas que num dia são super fãs do Boticário e no outro gostam é dos produtos da Rituals. Ou das que mostram que os produtos da My Label do Continente é que são bons, mas logo a seguir falam maravilhas da Guerlain.
Ou das que nos falam a toda a hora dos produtos do Lidl, ou da manteiga X.
Asseguro-vos que não é inveja e compreendo que quem vive de redes sociais precise de se alimentar e ganhar a vida, mas uma vida e uma imagem sempre cor de rosa acaba por magoar a vista.
Gosto de redes sociais, mas quero fazer as escolhas certas para seguir quem me acrescenta.
Também gosto de filtros, mas preciso de não ir na corrente e de usá-los com moderação. É que sabem, se nao o fizer corro o risco de enganar quem me lê, e mais grave ainda, enganar-me a mim própria.

Fé em dias pandémicos

fevereiro 18, 2021 3
Fé em dias pandémicos

Não sei bem se tinha seis ou sete anos quando fiz a primeira comunhão, mas tenho a certeza de que foi o primeiro momento em que tive consciência da presença de Deus.
Eu e o meu vestido de ir levar as alianças (fui mais do que uma vez), com o fio de ouro oferecido pelo meu padrinho Artur e que eu só usava em dias especiais e com um enfeite no cabelo comprado pela minha irmã que estudava em Leiria. Ainda hoje, quando comungo, procuro a sensação de plenitude que encontrei nesse dia...

Sabem, tenho dias... Uns em que procuro um sinal e não encontro, outros em que vislumbro uma paisagem e tenho a certeza que Deus está ali; certos dias há em que rezo quase como se recitasse um mantra, outros há em me entrego enquanto rezo "seja feito a Vossa vontade".

Não é fácil ter fé, principalmente nestes dias de medo e escuridão.
Cada dia é uma escolha, um decidir o caminho que se pretende seguir, um dizer sim ou não.

Tenho dias de neura, mas o meu Deus que perdoa, que entende e compreende, que ama todos por igual, que não castiga, que me ama com os tantos defeitos que eu tenho, tem me acompanhado na minha jornada e eu ainda não desisti de o continuar a procurar.
A maioria das vezes, encontro-o no lugar mais óbvio- dentro de mim.