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19 março 2019

Estrada amarela

março 19, 2019 0
Estrada amarela

"O meu rapazito de cinco anos foi ver o "Feiticeiro de Oz" ao Politeama. À noite, antes de dormir, abraçou-me  e disse baixinho ao meu ouvido "És gira... como a Dorothy". Dorothy?  Fiquei sem palavras, pelo elogio inesperado, por aquela frase tão boa depois de um dia tão cansativo...Apertei-o nos meus braços, com o coração quase a explodir... 

 És gira como a Dorothy." (as crianças dizem sempre a verdade, mesmo tendo eu olhos verdes e madeixas louras).

Pronto...agora é que não posso mesmo deixar de seguir a estrada de tijolos amarelos!"
                                                                                                                                   (março 2010)

18 março 2019

Não me esqueço. Vamos?

março 18, 2019 0
Não me esqueço. Vamos?





 As fotos são do Gil Álvaro de Lemos

No dia 9 de março estive na Fnac de Leiria a falar sobre esta coisa de gerir a nossa vida profissional e não nos esquecermos de nós. Estive acompanhada de mulheres empreendedoras e apesar de eu, a certa altura, ter sentido que o que digo não parece ser nada de extraordinário, tive muitas pessoas que gostaram. Sabem a palavra insegurança? Pois, pois...

Tudo é um caminho, mas hoje, olhando para as fotos do evento, gosto do que vejo: uma mulher cuidada, que já não esconde tanto as formas do seu corpo, que assume as suas raízes, que sabe de onde veio e que sabe (na maioria dos dias) para onde quer ir.

Sofia, 48 anos e nove meses, mãe, casada, professora, complicadinha por vezes, quase sempre bem resolvida por outras, fã da hastag #nãomeesqueço e a crescer para além do metro e meio que me deu a genética.

Vamos?

08 março 2019

Eu (também) faço parte da mudança...

março 08, 2019 1
Eu (também) faço parte da mudança...

Há seis anos, no dia 8 de março de 2013, eu escrevi assim aqui no blogue.

"Não acho grande graça aos jantares deste dia. Mas acho que ainda é importante marcar este dia porque há tanta mulher que continua a ser discriminada, sem direito a opinião, a voto, sem direitos...
À minha volta, mesmo que eu tenha a mania que são os mesmos direitos e tal, o que vejo eu?  Diretor da minha escola? Homem. Presidente do Conselho Geral? Homem. Presidente da Junta? Homem. Presidente da Assembleia Geral da Junta de Freguesia? Homem. Presidente da Câmara? Homem. Presidente da República? Homem. Etc, etc..."

Hoje, o que escrevi poderia ser quase igual. Apenas uma diferença: Presidente do Conselho Geral? Mulher. E sou eu.
O caminho faz-se caminhando.



05 março 2019

Budapeste- coisas que tenho a dizer

março 05, 2019 1
Budapeste- coisas que tenho a dizer


Quem me segue sabe que aproveitámos estes dias de pausa para estar juntos. Desta vez, marquei voo para Budapeste (o voo da Tap estava a um ótimo preço) e passámos dois dias lá. Eu tinha estado em trabalho em dezembro de 2006 e tinha ficado encantada com a cidade. O encanto confirmou-se.
Estivemos dois dias e precisávamos de mais. Tínhamos saudades de estar juntos (temos sempre) e passámos muito tempo simplesmente a andar pelas ruas da cidade que é incrivelmente romântica, limpa e acessível em termos de preços.


# Alojamento
Reservei pelo Booking um apartamento no Maveric Lodges Budapest e fiquei agradavelmente surpreendida. Também funciona como Hostel, mas nós reservámos um pequeno apartamento. Tudo muito limpo, com três camas de casal (um quarto mais reservado e os outros dois em open space), a vinte metros da estação do metro, na baixa da cidade. Pelo apartamento pagámos 120 euros por duas noites.

#Comida
É fácil encontrar várias opções na cidade. Para um jantar em que quisemos experimentar a cozinha húngara, seguimos a recomendação da minha amiga Margit que vive em Budapeste.
O restaurante fica em Buda, perto do Hotel Gellert, tem música tradicional, é acolhedor e a comida parece memso caseira. Chama-se Szeged Vendégló Kft e fica a cerca de quinze euros por pessoa. Uma nota, há um violinista que se costuma aproximar das mesas e tocar uma canção do nosso país (a nossa calhou-nos "Coimbra é uma lição")- devemos dar gorjeta.



#Termas 
É uma experiência que queria ter e não fiquei defraudada. Escolhemos as de Géllert (ficam ao lado do Hotel com o mesmo nome) que, não sendo as maiores, são consideradas das mais bonitas. Eu fui prevenida e levei toalhas, chinelos e toucas (apenas necessárias na piscina maior).  Tudo isto se vende no local, mas a entrada por pessoa já custa cerca de 19 euros). Aconselho também a terem as vossas toalhas debaixo de olho- uma nossa foi levada:).
  

As fotos não são minhas- penso que não é proibido tirar fotos, mas o bom senso aconselha:).


#O que fazer
Tanta coisa... Não deu para fazer tudo o que gostaríamos, mas subimos de Funicular e visitámos o complexo o Castelo de Buda que remonta ao ano de 1256 e que tem uma vista magnífica sobre a cidade de Peste.



Depois, andámos a pé pelas ruas, atravessámos o Danúbio várias vezes (a Ponte das Correntes é a mais famosa), visitámos as lojinhas locais, perdemo-nos e encontrámo-nos.


 

Curiosidades:
-O metro funciona bem, mas  há linhas mais antigas onde a ligação se faz pelo exterior; algumas linhas são muito pouco profundas e as carruagens  parecem que se desmontam (nunca aconteceu:);
- A Hungria ainda não aderiu ao Euro e a moeda é o Florim húngaro (para fazermos a conversão dividíamos a importância por três- 315 florins são um Euro); levantámos o dinheiro em Budapeste, mas tivémos  em atenção os ATM pois há alguns que cobram taxa como os da Euronet.
- O Danúbio divide a cidade- A parte mais plana é Peste (onde fica o Parlamento Húngaro) e a mais montanhosa é Buda (onde fica o Castelo).



25 fevereiro 2019

Três coisas sobre os Oscars 2019

fevereiro 25, 2019 5
Três coisas sobre os Oscars 2019
1- A elegância será(terá?) sempre uma atitude. Helen Mirren aos setenta e três anos a deixar-nos sem fôlego.


2- Todas podemos melhorar o nosso estilo com a idade. E não faz mal se já usámos algo que hoje nos arrepia. Atentem na Lady Gaga.




3- Nunca vou ter um vestido Dior como o da Charlize Theron, mas posso ter uma camisolinha do mesmo tom.


A camisolinha é da Zara ( esta aqui) e juro que foi o Miguel que abusou no filtro para esconder as rugas:).

21 fevereiro 2019

Medo de quê, Sofia?

fevereiro 21, 2019 2
Medo de quê, Sofia?


Medo de não ser boa mãe, medo de não ser boa professora, medo de não ser boa amiga, medo de não ser boa filha, medo de viajar sozinha e deixar os meus filhos, medo(s)...
Como tenho a plena noção de que estes medos condicionam a minha vida e o ser mais feliz, tento sempre superá-los. No mês passado, por exemplo, tive de ir em trabalho a Barcelona e deixar os meus filhos por uma semana. Gosto muito de viajar, sei que me faz bem,  que aprendo imenso, mas custa-me sempre. A grande culpa é do medo e dos “ses”. E se acontence algo ao Miguel e eu não estou? E se a minha mãe adoece? E se o Gonçalo precisa de mim? E se o avião cai?
Chateia-me esta minha mania, mas assumo-a e tenho sido capaz de a controlar. Afinal, quem é que eu me julgo para achar que posso controlar tudo e todos? Que poderes tenho eu para prever o que vai acontecer? Por que motivo é que, por vezes, eu faço filmes de terror que só acontecem na minha cabeça?

E há também uma frase que eu repito mentalmente e que me tem ajudado. É uma frase que o meu pai me disse quando um dia eu lhe confessei que estava receosa por ir  viajar e deixar os miúdos. Lembro-o com nitidez, sentado no seu cadeirão, com as pernas imobilizadas, a questionar-me ” Mas tens medo de quê, Sofia?". Só isto. Uma pergunta simples como ele, mas que estava repleta de incentivos: vai e vê o que eu já não posso ver, vai que a vida é um fósforo, vai que quem te ama não te esquece.

"Mas tens medo de quê, Sofia?". Fecho os olhos e consigo vê-lo perfeitamente, sentado no seu cadeirão, a olhar para mim, a sorrir com os olhos, a incentivar-me a não ter medo de ser feliz. E, de mansinho, o medo vai ficando  pequenino até eu ser capaz de o ultrapassar.

19 fevereiro 2019

Os miúdos cresceram, e agora?

fevereiro 19, 2019 6
Os miúdos cresceram, e agora?

Nos últimos dias tenho conversado bastante sobre o facto dos meus miúdos estarem mais crescidos, serem mais autónomos e de já não precisarem tanto da minha presença para certas atividades.

Se me perguntarem se tenho saudades deles pequeninos, eu digo que sim. Mas, contudo, tem sido bom  aperceber-me que, mesmo continuando a ser rede, eu tenho tido mais tempo para mim. 
A minha amiga Helena Silva já me tinha dito que lhe estava a saber bem a fase dos filhos crescidos, mas eu receava. Agora confirmo.

A fase deles pequeninos, das descobertas, do cheirinho a bebé, dos abraços bem apertadinhos é, de facto, maravilhosa. Mas esta altura em que eles estão mais crescidos, em que podemos almoçar com eles e discutir o mundo, em que nos sentamos no sofá a ver os filmes que estão nomeados para os Óscares, em que eu posso estar à conversa com uma amiga sabendo que o Miguel tem a chave de casa, em que eu e o Luís podemos ir jantar só os dois, é boa. Muito boa. O melhor de tudo? Não me sinto nem um bocadinho culpada por me sentir assim.

É que há uma altura na vida em que namoramos, casamos (ou não), temos filhos e depois parece quase que a nossa missão acabou. Não acabou- a missão que importa é o nosso caminho. Cabe-nos a nós não nos esquecermos (ou, como diz a minha amiga Carla, não desistirmos de nós).

Erro muito, sou imperfeita, não faço tudo o que dizem os manuais, mas sei que estou a fazer o que é certo quando invisto em mim, quando me forço a sair do sofá (ou a não me sentir culpada por passar uma tarde enroscada a ver séries), quando continuo com fome de mundo e não me resigno. 

A morte é uma certeza, o caminho, já o sabemos,é  vida.

18 fevereiro 2019

Regressar...primeiro passo...

fevereiro 18, 2019 10
Regressar...primeiro passo...


A semana passada tive de tomar uma decisão- renovar ou não o domínio do blogue. Primeiro deixei expirar, mas depois resgatei-o. Sei que não quero e que não tenho disponibilidade para voltar ao blogue como ele era, mas custa-me deixar este espaço e sinto muita falta de escrever com mais assiduidade.
O blogue foi o meu "escape" durante nove anos. Foi graças a ele que comecei a prestar mais atenção à mulher que sou, a cuidar-me mais, que conheci tantas pessoas que me fizeram e fazem bem, que recebi tanto carinho de quem me lê. Por isso, depois de ouvidas pessoas próximas que me incentivam a voltar a ele, vou tentar vir cá mais vezes.

No outro dia, conversava eu com uma amiga e dizia-lhe da falta que o blogue me fazia e de não me apetecer começar do zero, mas que eu tinha também uma espécie de vergonha de voltar, como se fosse uma adolescente que não sabe bem o que quer. Ela, admirada, interrogou-me " Mas tu ainda te preocupas assim tanto com o que os outros pensam?". 

Eu acho que sim, que ainda me preocupo (demais) com o que os outros pensam de mim e talvez tenha sido essa a principal razão porque num dia resolvi escrever que ia fechar o blogue...

Afinal, ainda tenho tanto caminho a percorrer...Vou tentar voltar, devagarinho,  escrevendo só o que quero, sem pressões, com verdade, sem tentar ligar ao que os outros pensam. 

Vou voltar ...egoisticamente...por mim.