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23 outubro 2020

Olha, saí na Activa!

outubro 23, 2020 0
Olha, saí na Activa!


Ainda hoje a Natividade, que trabalhou em casa dos meus pais e se mantem amiga, conta que  mal me acabava de vestir e virava costas, já eu tinha despido tudo e vestido outra roupa diferente. Diz que eu não tinha mais de quatro anos, mas já tinha narizinho empinado e gostava eu de escolher o que vestia.
Sempre me lembro de ser assim vaidosinha e atenta a mim e foram raras as vezes em que o deixei de faze. Tudo isso para vos dizer que a revista Activa me convidou a falar um bocadinho das minhas rotinas de beleza. Achei graça, confesso. É que eu moro numa aldeia pequena, não sou o uma  mulher que dá nas vistas (sou pequenina, não compro grandes marcas...) e ter chamado a atenção a uma revista nacional foi engraçado.
Ficam aqui então as minhas escolhas- tudo verdade e tudo acessível à grande maioria das mulheres.
Cuidem de vocês, sim? Nestes tempos pandémicos, esquecermo-nos não pode ser o caminho.


Luz e sombra

outubro 23, 2020 0
Luz e sombra

Não gosto muito desta foto que o Luís me tirou quando o fui visitar no primeiro fim de semana de outubro a Bratislava, mas talvez ela mostre como me senti durante a viagem- cheia de vontade de ir, mas com a cabeça cheia de medos.

Andei indecisa até à última, mas fiz-me à estrada. Teste covid negativo no email, mochila com o indispensável, frasco de gel e uma bolsa cheia de máscaras, entrei no aeroporto como tenho entrado nas últimas vezes- como se todos fossem eventuais portadores do vírus.

No avião sentei-me no meu lugar previamente comprado para evitar o lugar do meio, fones nos ouvidos, um episódio da série " Bom dia, Verónica" que descarreguei na Netflix e tentei abstrair-me.Nada fácil, confesso-" E se em Viena não me deixam entrar? E se há problemas na fronteira? E se?".

Correu tudo bem. Fui numa sexta-feira e voltei no feriado de 5 de outubro, mas no regresso, as sombras voltaram- " E se venho infetada e contagio a minha mãe ou os meus alunos?".

Voltou a correr bem, mas sinto que ando um bocadinho a desafiar o destino, mesmo sabendo que para uma família que está separada as viagens são fundamentais.

Para já a vida oferece-se cheia de sombras e parece que só nos resta continuar a buscar a luz para que o nosso caminho fique o mais iluminado possível.

09 outubro 2020

Às vezes (ainda tenho) a mania...

outubro 09, 2020 4
Às vezes (ainda tenho) a mania...



Há mais de um ano que não publico posts com este título ou a mostrar o que visto. Em termos de pandemia, claro que há muitas mais preocupações na nossa cabeça do que aquilo com que cobrimos o corpo. Contudo, sinto também uma necessidade de normalidade e, muitas vezes, apetece-me fugir das notícias, alienar-me um bocadinho e publicar um post sobre roupinhas... 

Ora, vamos lá então! A quem interesse e a quem nunca sabe o que vestir (mesmo tendo o armário cheio), o que posso dizer é que se socorra dos lenços e écharpes para colorir o dia e proteger-se do friozinho que às vezes nos surpreende nestes dias de outono.

O resto é o que nunca me  falha-uma camisola básica branca, jeans (neste dia estava com um jeggings da HM-compro um tamanho acima para não ficarem muito justos e são muito confortáveis) e um blazer muito antigo que vai sempre bem com tudo.

Detalhes:

-T-shirt  da Mango (esta)  Gosto quando são Committed  porque são produtos que foram confecionados com fibras e/ou processos de produção sustentáveis que contribuem para a redução do impacto ambiental.

- Jegging H&M (estes) São confortáveis e tens os bolos da frente cosidos (gosto disso).

- Botins desta estação da Zara (estes) Foram uma boa compra e combinam com tudo.

- Lenço- este é Bimba y Lola (mas de uma  coleção antiga).




 

14 setembro 2020

As fotos e a minha vida como ela é

setembro 14, 2020 2
As fotos e a minha vida como ela é


Estas duas fotos foram tiradas na sexta-feira.
Uma depois da praia, com restos de protetor solar na cara, calções, t-shirt amarrotada (tinha andado por dentro dos calções) chinelo no pé, cabelo salgado e sem pose.
Outra, uma hora depois, banho tomado, maquilhada (pouco como eu gosto) e a fazer pose para o meu fotógrafo preferido.
Sou, como todas as mulheres, muitas. Nas redes sociais, quando vamos trabalhar ou ao supermercado, mostramos o que queremos, mas importa é sabermos quem  somos e não recearmos assumir como nos sentimos bem. 
Se queremos andar de saltos e não estamos a sofrer por isso- muito bem. Se nos apetece andar confortável e só usamos sapatilhas- formidável. Se não saímos de casa sem batom- ótimo. Se gostamos é da nossa cara ao natural-maravilhoso. Se pintamos o cabelo sempre que um branco se avista- que bom. Se adoramos os nossos brancos e os assumimos- estupendo.
Claro que não há mulheres perfeitas (mas quase, mas quase 😊), mas ficamos todas mais bonitas  se formos é verdadeiras com quem mais importa - nós.
As fotos são um mero clique de um dia (e que é  muitas vezes ensaiado) e os disparos essenciais, importa não esquecermos, não são os que o obturador efetua.

06 setembro 2020

A festa fez-se! A festa faz-se!

setembro 06, 2020 8
A festa fez-se! A festa faz-se!






Quem me tem acompanhado, sabe que há muito que escrevo sobre o dia em que faria a Festa do Sagrado Coração de Jesus. Sabem, é como se fosse um marco na nossa vida, pois na Paróquia de Maceira (concelho de Leiria) as pessoas que fazem cinquenta anos organizam a festa para toda a freguesia.
Ora pois eu, como miúda de aldeia que sou, mesmo não sabendo apanhar murta nem enfeitar os bolos dos andores, sempre vibrei com os festejos do Sagrado em que toda a freguesia se junta, em que se convive e em que se agradece a caminhada.

Neste ano atípico, em que os abraços nos fogem, em que me sinto tanta vez apalermada por não saber se ponho a máscara ou não na rua, em que o álcool gel substituiu o creme de mãos na minha carteira, em que tenho tanta vez medo de fazer mal aos outros, cabia-me a mim e aos nascidos no ano de 1970 organizar a festa.  Escolhemos a cor laranja para as nossas camisolas,tínhamos ideias, vontade e energia, mas não foi possível festejar como imagináramos.

Contudo, a festa fez-se! Sem azedumes nem mágoas, com o apoio da Paróquia e da comunidade que apareceu com máscara e respeitando o devido distanciamento social, com a maravilhosa Filarmónica de Maceira, com passadeiras de murta a perfumar o ar, com bolos de festa  que sabem a erva doce, com a Missa Campal para nos lembrar que a verdadeira festa se faz nos nossos corações.

Hoje, agradeci. Agradeci à Nossa Senhora da Luz e ao Sagrado Coração de Jesus o ter feito esta caminhada que me trouxe aqui, a família que tenho, os amigos que gostam de mim e os novos amigos que fiz entre tantos que nasceram no meu ano  (e que eu mal conhecia).

Emocionei-me hoje muitas vezes e sabem, tive a oportunidade de ir ler um texto que escrevi onde expressei muito do que vive cá dentro e senti-me muito afortunada por o poder fazer (obrigada aos meus amigos de 70 pela confiança).

O texto terminava assim...

E neste ano atípico, estes são os festejos do Sagrado Coração de Jesus
dos Nascidos em 1970 da freguesia de Maceira. Acreditem que temos o
nosso coração cheio de alegria e celebraremos sempre a amizade, a
entreajuda e o companheirismo que nasceu e vive neste nosso grupo.
Obrigada por celebrarem connosco e permitam-nos terminar com as
palavras do Papa Francisco.
Num mundo “oprimido pela pandemia, que coloca uma dura prova à nossa
grande família humana” é preciso responder “com o contágio da
esperança”.
Nós, nascidos em 1970, uns jovens de cinquenta anos, somos
ESPERANÇA!

A pandemia trocou-nos as voltas, mas não me há de trocar esta que eu sou e que reconhece e agradece as pequenas (grandes) coisas. Amigos que me lêem, a  festa fez-se! A festa faz-se!












05 agosto 2020

Férias 2020- Alto Minho

agosto 05, 2020 4
Férias 2020- Alto Minho
Tinha esta vontade- fugir para um sítio onde nunca tivéssemos ido os quatro juntos, ir ao encontro de verde e de águas frescas, ajudar como pudéssemos a economia local e foi muito fácil convencê-los a trocar o Algarve pelo Alto Minho.
Divulguei um bocadinho no Instagram (menos do que estes lugares mereciam, mas  precisei de ficar mais tempo offline) e faço-o por aqui para abrir o apetite a quem esteja ainda à procura de ideias para férias ou para uma escapadinha.
Não nos arrependemos um minuto de termos trocado a praia pelo campo (e eu sou muito fã de praia) e confesso que foi das férias onde senti que fizemos mais coisas- piqueniques, jogos de cartas, mergulhos em lugares onde só estávamos nós, passeios no verde, paddle, visita a lugares com história, restaurantes com comida maravilhosa (e a preços simpáticos) e muitas gargalhadas.
Não vos quero maçar com mil e uma fotos (lembram-se daqueles jantares onde nos põem a ver fotos de férias e a nós só nos apetece ir embora?) e impus-me a mim quinze fotos (falhei por uma) que mostram um bocadinho. das nossas férias. Espero que vos faça querer ir!

Nota: Há mais no meu Instagram- aqui e tirámos muitas ideias no blogue Vagamundos- aqui

                                             Arcos de Valvedez


Mezio




Mezio-vista panorâmica para o Parque Nacional da Peneda-Gerês

Soajo


Passadiços do Sistelo



Ponte da Barca

Ponte de Lima

Lindoso




19 julho 2020

Aos anjos que partem, aos pais-heróis que ficam...

julho 19, 2020 2
Aos anjos que partem, aos  pais-heróis que ficam...

Foto tirada no verão de 1985 e numa moldura que me acompanha desde então

Provavelmente este post perder-se-á entre tanta partilha de momentos de hoje passados na praia, entre queixas sobre a Covid-19 que não parece dar tréguas, entre fotos que atestam altas temperaturas, notícias de última hora e entre o tanto e o pouco que faz a vida acontecer.
Falamos tanto na vida, não é? Será para esquecermos a morte que é, como sempre me lembro de ouvir, a única certeza da vida? Talvez seja porque assim tem mesmo de ser.

Hoje, na rotina dos dias, ao limpar o pó, deparei-me com um anjo que comprei a um artesão numa aldeia da Eslováquia e tive vontade de escrever sobre morte. Não sei ainda o que sairá sobre este tema tão duro (o mais duro) e sei que não escreverei nada de importante sobre a inimaginável dor dos pais em luto, mas às vezes parece que os textos têm vontade própria...

A primeira morte que me marcou seriamente foi a do meu primo Márito.  Eu tinha dezasseis anos, éramos vizinhos e ele tinha menos um ano do que eu. Uma leucemia levou-o numa altura em que ainda se receava falar da palavra cancro . Sempre tive pudor de falar do que sofri na altura,  porque  eu nunca até então vira uma dor tão grande espelhada nos olhos de alguém como vi nos seus pais e soube logo que a minha dor era ínfima perto da deles.

Esta semana partiu o João Pedro. Atleta, amigo de todos, num ápice foi embora sem sequer ter tido oportunidade de lutar; e a concretizar o maior pesadelo que assombra a nossa mente quando temos um filho " E se...".

Infelizmente, conheço vários pais que perderam filhos e tenho por eles uma admiração sem limites. Não imagino a dor, não sei como sobrevivem, mas acredito que o fazem, também, pelos seus  meninos-anjos que partiram- são verdadeiros pais-heróis sem nunca o quererem ter sido.

É raro o dia em que não pense nas mães que conheço pessoalmente e que perderam os seus meninos; rezo sempre para que uma brisa de conforto as ajude a aliviar um pouco a dor de uma ferida que dificilmente cicatrizará. Não há maior dor, diz o povo. E eu acredito.

Escrevi quatro parágrafos e parece que não disse nada... Deixem-me então socorrer-me das palavras do escritor Luís Osório - "a dor ficará sempre para um dos poucos estados para o qual nem sequer existem palavras. Acredito que se pode mitigar, tornar o horror suportável. O apaziguamento depois da morte de um filho só pode ser conquistado quando a dor se torna outra vez viva, uma celebração da vida e, dessa maneira, uma celebração da memória viva de quem partiu".


Um abraço enorme para a família e amigos do João Pedro; um mais apertado para os pais.

14 julho 2020

O Ti Quim da Mata- os heróis moram aqui ao lado

julho 14, 2020 8
O Ti Quim da Mata- os heróis moram aqui ao lado

Já o escrevi outras vezes- gosto de histórias de pessoas que se superam, que enfrentam a vida com sorrisos e generosidade, que não são famosas e nem receberão medalhas de mérito, mas que me inspiram a mudar e a ser mais.

Pessoas com (aparentemente) aparência  e vida perfeitas, com " Ai que eu sou tão bom e conduzo um carro tão caro" nunca me disseram nada. Já as pessoas com vida dentro e doçura acrescentam-me muito e quando assim é, gosto de partilhar as suas histórias.

O Ti Quim da Mata é uma dessas pessoas. Mora a três casas da casa que foi dos meus pais, tem o rosto tisnado pelo sol e apenas o seu corpo é seco, pois  como se fosse um ovo mole de Aveiro, por dentro é cheio de doçura.

Já andava com este texto na cabeça há uns tempos, desde que no mês passado, enquanto passeávamos os quatro pelos pinhais perto de casa, o encontrámos a cavar um terreno quase limpo de mato. Passei por ele, cumprimentei-o ao longe, mas tive de voltar para trás.

O terreno dele era o único limpíssimo e sem  um bocadinho de mato e perguntei-lhe se fora ele quem o limpara. Ele nem percebeu bem como era possível eu estar a perguntar se fora ele- "Pois claro que fora ele, quem haveria de ser? "  e  perante o meu olhar espantado acrescentou para me tranquilizar " Mas não foi tudo hoje...".

Ora eu, que mal me baixo para arrancar as ervas daninhas que invadem o jardim,  que tenho laranjeiras com sede no quintal, que me queixo que o cabo do sacho me magoa as mãos, arregalei os olhos e perguntei-lhe a idade. " Faço noventa em agosto" respondeu-me o ti Quim com lágrimas nos olhos.

Despedi-me e guardei a imagem dele na cabeça e no meu coração pois sei que a hei-de ir buscar muitas vezes, quando eu me sentir mais frágil e precisar de ganhar força para enfrentar algum dia mais escuro.

O Ti Quim da Mata  trabalhou a vida inteira,  é base de mulher, filhos e netos, é generoso e quer pagar sempre um café ou uma bebida a toda a gente, pergunta sempre como estamos e nunca se esquece de nos desejar "saudinha! Perdeu um filho querido este ano, mas nem a  dor profunda o azedou.

O Ti Quim anda de bicicleta em vez de carro, usa as roupas de sempre e um chapéu de palha quando está sol e não sabe que, mesmo não sabendo nada de Camões, de Pessoa ou de Sophia, ele é pura poesia e já é um dos Poemas da minha vida.