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20 maio 2019

Às vezes (ainda) tenho a mania...

maio 20, 2019 1
Às vezes (ainda) tenho a mania...
Costumava, nos tempos em que escrevia regularmente no blogue, publicar fotos com o título "Às vezes tenho a mania". Fazia-o porque adoro que me tirem fotos, sou vaidosinha e  porque era das rubricas que eu também procurava nos blogues. E, confesso já aqui, ver o que outras pessoas usavam e o modo como se vestiam sempre me inspirou (ou "desinspirou":) e eram dos posts mais procurados.

Desde nova que sempre me preocupei com o que visto. Não me lembro de  antes de sair para a rua, vestir a primeira coisa que estivesse no armário.
Sei que há quem o faça e por mim está tudo bem, mas eu não sou assim. Contudo, também não demoro horas a pensar no que vou vestir, talvez porque praticamente só tenho no meu armário peças de roupa de que gosto mesmo, com que me sinto bem e que sei que, quando as comprei, soube que as ia vestir muitas vezes. 

Tento, dentro do meu orçamento, investir em peças clássicas mas com um twist, presto atenção aos materiais, gosto de uma carteira bonita, mas que eu possa comprar ( nunca usarei uma mala de imitação- quem é que eu estou a enganar?), de uns sapatos elegantes, arrisco numas sapatilhas de vez em quando (adoro as minhas Superga prateadas), gosto de jeans , de blusas femininas e de vestidos.

Para quem tiver curiosidade, ultimamente tenho andado assim! As fotos, tiradas com o telemóvel, são da autoria do Miguel.. tudo num instantinho que o moço não é assim tão paciente.


Calças Salsa, blusinha H&M, sandálias Zara, carteira Tous (tem mais de cinco anos) e óculos Emporio Armani (prenda de anos do ano passado).

 Calças LaRedoute  e camisolinha H&M com muitas lavagens, sapatilhas Superga e mochila Kanken (se eu pudesse tinha uma de cada cor, mas tenho apenas esta e tem valido o investimento)
 O  vestido é da Zara e acho que desapareceu logo das lojas, as botas e o cinto são muiiito antigos.

 O Vestido é da Massimo Dutti  e a carteira foi comprada o ano passado para um casamento e tenho usado bastante.


Tenho tentado usar menos preto e esta primavera arrisquei nesta gabardine rosa ( comprei na loja La Coquette em Leiria, a mala é Liu Jo e o ar apalermado é mesmo meu.

05 maio 2019

Onde estão as mulheres perfeitas?

maio 05, 2019 2
Onde estão as mulheres perfeitas?


A foto está gira, mas não gosto da minha barriguinha saliente:) Estão a ver...somos todas iguais!

Na semana que passou,  num jantar, em conversa com um professor belga, eu falava-lhe da desmotivação que sentem muitos alunos meus em relação à leitura e à escrita e ele surpreendeu-me com a preocupação que as escolas belgas vivem atualmente por a maioria das raparigas terem uma autoestima muito baixa e a taxa de suicídios ser alta.
Vim para casa com o assunto na cabeça e tenho andado a pensar nele. Acredito que a baixa autoestima das raparigas esteja relacionada com o que seguem nas redes sociais e assustei-me- e se as miúdas que me seguem pensam que eu tenho uma vida perfeita? E se as mulheres que põem like nas minhas fotos pensam que eu ando sempre assim e se sentem frustradas?

Eu já falei neste tema aqui, mas senti necessidade de voltar a ele. É que a verdade é que eu só posto as fotos onde me acho bonita, mas isso normalmente são duas ou três em dez fotos que eu tiro. Outra verdade é que eu só publico fotos quando estou com uma roupinha apresentável, mas tenho (muitos) dias em que ando na minha aldeia com camisolas herdadas dos meus filhos e da minha sobrinha, com cabelo num coque e de cara lavada com as minhas manchas na cara a parecerem o mapa mundo. 

Sou um metro e meio de gente e tenho dias como todas as mulheres, mas  normalmente apenas publico fotos com as quais me sinto confortável. E, quanto à perfeição, não conheço nenhuma mulher que não mudasse quatro ou cinco coisas em si.

 Sabemos todas que não há mulheres perfeitas, mas seria igualmente bom se todas soubéssemos  que todas temos características que nos fazem fantásticas. Um truque que ajuda? Segurança em nós próprias, mas isso é todo um caminho que eu também ainda ando a percorrer.





26 abril 2019

Dores de crescimento aos 48 e nove meses de idade

abril 26, 2019 2
Dores de crescimento aos 48 e nove meses de idade

Já tive alturas na vida em que tive medo de crescer (e nada de brincarem com o meu metro e meio de altura). Sabem aquela altura em que parece que tudo se encaixa como peças de lego e nós temos vontade de congelar o momento? Isso mesmo. Lembro o ano em que fiz quarenta anos, tudo parecia fácil e tranquilo e eu só queria que o tempo parasse por temer que a minha planificada vida fosse abalada.


E em nove anos foi mesmo: perdi o meu pai, o meu tio Fernando e o seu sorriso bonacheirão, o colo do meu Padrinho Artur, a Ana… Deixámos também de ser os quatro em casa a maioria dos dias, tive dias em que não quis sair da cama,  sofri um bocadinho porque sabia ser necessário deixar crescer os meus filhos e não lhes “controlar” a vida como fazia enquanto eram mais novos. 
Mas, em nove anos, também conheci lugares onde não imaginava ir, emocionei-me vezes sem conta com filmes que vi sem interrupções dos meus filhos, voltei a ter mais tempo para ler e descobri autores fantásticos, comecei a olhar mais para mim e a cuidar-me por dentro e por fora, conheci novas pessoas, aproximei-me de amigas que a vida afastara, fiquei mais disponível para os outros…
O segredo, tenho andado a descobrir, é viver o momento presente e deixar de me inquietar tanto com o futuro. Tarefa difícil para mim que tenho em casa a alcunha de General por querer tudo à minha maneira (um bocadinho mandona quiçá?) e andar sempre a prever cataclismos que me destruam o castelo de legos. 
A verdade é que, embora devagarinho, tenho conseguido usufruir de momentos e aceitar o inevitável- podemos (devemos?) preparar o essencial do futuro com alicerces assentes em solos profundos, mas devemos igualmente saber que a vida não é uma autoestrada em linha reta.
Não são precisos de estudos aprofundados para saber que a maioria das vezes, o encanto e a magia da vida está mesmo nos desvios que a vida nos oferece. Se há vezes surgem dores? Claro, mas é certo e sabido que as dores de crescimento são inevitáveis!



abril 26, 2019 0

Xxxx

07 abril 2019

O vidro de que sou feita

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O vidro de que sou feita


O meu pai sempre disse que eu era um vidrinho. Queria ele dizer que as lágrimas me saltavam facilmente, que ninguém me podia dizer nada, que se me falassem com um tom de voz mais brusco, lá vinham as grossas lágrimas encherem-me os olhos.
Até há uns tempos era assim. Agora as lágrimas continuam a soltar-se, mas é quase sempre por motivos bons, porque me dizem algo bonito, porque leio algo que me faz pele de galinha, porque recebo um abraço mais apertado ou um apertar de mãos caloroso.

Talvez eu fosse um vidro cristal, sem muita resistência, que se partisse ao menor abalo e seja agora um vidro temperado que recebeu um tratamento  térmico ou químico que o tenha tornado  mais durável e com maior resistência mecânica. Dizem os entendidos que o vidro temperado, quando quebra, em vez de se estilhaçar em bocados cortantes, reduz-se a pequenos fragmentos e é, por isso, mais seguro. Talvez eu seja isso agora- um vidro temperado!

Quanto ao tratamento térmico que recebi foi a vida que mo foi dando, fazendo com que o vidro de que sou feita não estilhace à menor agitação. É da idade dizem-me. E eu acredito e sei que, certamente,  o meu pai se orgulhará do vidro de que agora eu sou feita.


28 março 2019

Tesouros do blogue #1

março 28, 2019 3
Tesouros do blogue #1
Santiago de Compostela, março 2010

Das primeiras fotos que publiquei no blogue. Tem nove anos.

Eu  era mais loura, mais redondinha, menos serena e menos crescida.

E sim, perdoem-me a imodéstia, mas parece que  idade me fez bem!

27 março 2019

Crescer- lição nº246

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Crescer- lição nº246
Matilde e sua bisneta
Tem sido uma semana difícil. O coração de D. Matilde-Matilde-Ti Matilde, senhora minha mãe, pregou-lhe/nos uma partida e neste momento está a dias de ser reparado.
 É normal, dizem, são já setenta e nove anos, foi a quimioterapia, a radioterapia e muitas emoções vividas. E eu aceno que sim. É normal, mas custa e coloca-nos em sobressalto. Quem já passou pela angústia de ver o sofrimento dos nossos pais perceberá facilmente.

No entanto, quem conhece esta "trempe" que sou eu, a minha irmã e a minha mãe sabe que somos feitas de fé e de luta  e por isso apoiamo-nos umas às outras e temos esperança.

Mas escrevia eu que a semana tem sido difícil e não o consigo esconder dos meus  dois filhos. E como sei que lhes custa, descansei-os. Sosseguei-os. Está tudo bem,  a avó está frágil, mas é assim que é a chamada lei da vida- cuidarmos dos pais quando somos adultos e não o contrário.  Acrescentei que é isto que eu desejo- envelhecer e  que eles se mantenham presentes. O contrário é que me seria insuportável. Senti-os meio apalermados e duvido que esqueçam a nossa conversa, mas senti, igualmente, que quando a acabámos, estávamos os três mais crescidos.

Vai correr tudo bem.



19 março 2019

Estrada amarela

março 19, 2019 0
Estrada amarela

"O meu rapazito de cinco anos foi ver o "Feiticeiro de Oz" ao Politeama. À noite, antes de dormir, abraçou-me  e disse baixinho ao meu ouvido "És gira... como a Dorothy". Dorothy?  Fiquei sem palavras, pelo elogio inesperado, por aquela frase tão boa depois de um dia tão cansativo...Apertei-o nos meus braços, com o coração quase a explodir... 

 És gira como a Dorothy." (as crianças dizem sempre a verdade, mesmo tendo eu olhos verdes e madeixas louras).

Pronto...agora é que não posso mesmo deixar de seguir a estrada de tijolos amarelos!"
                                                                                                                                   (março 2010)