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25 novembro 2020

Pão com banana e a vida a acontecer

novembro 25, 2020 2
Pão com banana e a vida a acontecer
Sou como todos, tenho dia dias em que encaro a vida de frente e o dia corre bem e tenho outros em que me arrasto.
Ontem, foi um dia assim-. Desde que me levantei que senti que me deslocava como se o corpo trouxesse a alma a reboque. E, deixem-me queixar só um bocadinho, mas falar muitas horas com máscara cansa e eu, como é sabido, também já não vou para nova :).

Mas reagi e fiz a vontade ao corpo que me pedia sossego. Banho bem quente e perfumado, roupa de algodão no corpo e meias quentinhas, paracetamol para acalmar a dor de cabeça e pão com banana para eu jantar (das minhas conjugações preferidas).
Depois, a noite terminou bem: uma mensagem de uma amiga a dizer que em Fátima pensara em mim, o Miguel a rever o Sermão de Santo António aos Peixes ao meu lado e eu aconchegada na minha cama dos meus últimos vintes anos.

Acordei cedinho hoje. Fui rever as fotos das férias e ganhar alento para não me esquecer que  os dias de neura também são dias ganhos. Quero muito acreditar  que estamos cada vez mais perto de nos abraçar todos sem medos, mas tenho dias de deriva (só tenho pena é que não sejam dentro de um mar salgado) e só resta aceitar.

São sete da manhã e vem aí a  respeitável e solene pergunta:
- O que é que eu vou vestir hoje?

A vida prossegue.

16 novembro 2020

Viver a morte

novembro 16, 2020 1
Viver a morte


" Sereno e em paz, o meu pai não me disse adeus, mas partiu. Rapidamente, em casa, rodeado por quem amava. Ainda não volvido um mês, sinto-me dormente, apardalada, mas recuso-me a sentir uma coitadinha.

A verdade é que eu sei que sou uma sortuda por ter tido um pai tão especial. Um pai que me marcou sempre hora de entrada até à meia-noite, mas que aos dezasseis anos permitiu que eu fizesse uma viagem de autocarro, sozinha, para ir conhecer França, o meu país natal; um pai que nunca me deixou ir a discotecas, mas que me incentivou a ir dez dias para Itália quando eu tinha dezassete anos; um pai que não foi além da quarta classe (tirada na tropa como ele gostava de dizer), mas que me deixou abrir asas para eu ir estudar para cento e oitenta quilómetros longe de casa; um pai que sempre me apoiou e amou incondicionalmente (e se eu fui uma filha que dei trabalho).

E é por isto e muito mais que eu, por mais sofrida que esteja, por mais saudades que já tenha, por mais lágrimas que chore, não me sinto infeliz. A gratidão e o amor que eu tenho é tanta que nunca deixariam que fosse de outra maneira."

Novembro 2013, Região de Leiria

15 novembro 2020

Lição nº7-Críticas, lágrimas e o poder do elogio

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Lição nº7-Críticas, lágrimas e o poder do elogio




Ontem, falava com a minha amiga Xana sobre o poder das boas palavras e tive vontade de vir aqui partilhar convosco a decisão que tomei há dias- tentar elogiar mais e escolher bem as palavras antes de criticar (é difícil).

Conto-vos duas histórias que se passaram comigo.

Uma, tinha eu vinte e poucos anos e acabara de me iniciar nas aulas de Step. Entrei já as alunas andavam há uns tempos e via-me à nora para lhe acompanhar os passos- básico, chuta, passo em V, passo em l, cruza o step...eu sei lá. O que sei é que um dia a professora me deu um raspanete porque eu estava desconcentrada (probabilidades muito altas disso ter acontecido, confesso), eu abandonei a aula de Step a chorar baba e ranho e nunca mais lá pus os pés.

A segunda passou-se há muito pouco tempo. Quando fiz cinquenta anos, ofereci-me um curso de escrita online. Pois muito bem, num certo dia, em que talvez eu me sentisse mais frágil ou as hormonas estivessem a fazer das suas, ao receber a opinião da formadora sobre o meu texto, as lágrimas começaram a querer saltar-me dos olhos. A formadora sempre  foi muito querida e correta, mas naquele momento eu senti que ela só elogiava os textos dos outros e criticava os meus. Passou-me num instante, mas a partir daí tenho pensado mais no assunto e tentado ter mais cuidado com o que digo aos outros (e principalmente aos meus filhos e alunos).

Tenho a certeza que já magoei muita gente, mas é meu propósito agora elogiar mais e isso vale também para as redes sociais. É que há pessoas que vêem uma foto, lêem um post e nem um clique. São avarentas com as palavras e com os gostos.

Eu não me queixo pois tenho os melhores leitores do mundo, mas sei que isso acontece e que às vezes um elogio numa foto, um passar por alguém e dizer-lhe que está bonito, que gosta do que faz, pode ajudar a dar luz a um dia de trevas. Quanto a mim, tenho tido mais cuidado e já iniciei o movimento do elogio na minha mente. Quem se junta?



23 outubro 2020

Olha, saí na Activa!

outubro 23, 2020 2
Olha, saí na Activa!


Ainda hoje a Natividade, que trabalhou em casa dos meus pais e se mantem amiga, conta que  mal me acabava de vestir e virava costas, já eu tinha despido tudo e vestido outra roupa diferente. Diz que eu não tinha mais de quatro anos, mas já tinha narizinho empinado e gostava eu de escolher o que vestia.
Sempre me lembro de ser assim vaidosinha e atenta a mim e foram raras as vezes em que o deixei de faze. Tudo isso para vos dizer que a revista Activa me convidou a falar um bocadinho das minhas rotinas de beleza. Achei graça, confesso. É que eu moro numa aldeia pequena, não sou o uma  mulher que dá nas vistas (sou pequenina, não compro grandes marcas...) e ter chamado a atenção a uma revista nacional foi engraçado.
Ficam aqui então as minhas escolhas- tudo verdade e tudo acessível à grande maioria das mulheres.
Cuidem de vocês, sim? Nestes tempos pandémicos, esquecermo-nos não pode ser o caminho.


Luz e sombra

outubro 23, 2020 0
Luz e sombra

Não gosto muito desta foto que o Luís me tirou quando o fui visitar no primeiro fim de semana de outubro a Bratislava, mas talvez ela mostre como me senti durante a viagem- cheia de vontade de ir, mas com a cabeça cheia de medos.

Andei indecisa até à última, mas fiz-me à estrada. Teste covid negativo no email, mochila com o indispensável, frasco de gel e uma bolsa cheia de máscaras, entrei no aeroporto como tenho entrado nas últimas vezes- como se todos fossem eventuais portadores do vírus.

No avião sentei-me no meu lugar previamente comprado para evitar o lugar do meio, fones nos ouvidos, um episódio da série " Bom dia, Verónica" que descarreguei na Netflix e tentei abstrair-me.Nada fácil, confesso-" E se em Viena não me deixam entrar? E se há problemas na fronteira? E se?".

Correu tudo bem. Fui numa sexta-feira e voltei no feriado de 5 de outubro, mas no regresso, as sombras voltaram- " E se venho infetada e contagio a minha mãe ou os meus alunos?".

Voltou a correr bem, mas sinto que ando um bocadinho a desafiar o destino, mesmo sabendo que para uma família que está separada as viagens são fundamentais.

Para já a vida oferece-se cheia de sombras e parece que só nos resta continuar a buscar a luz para que o nosso caminho fique o mais iluminado possível.

09 outubro 2020

Às vezes (ainda tenho) a mania...

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Às vezes (ainda tenho) a mania...



Há mais de um ano que não publico posts com este título ou a mostrar o que visto. Em termos de pandemia, claro que há muitas mais preocupações na nossa cabeça do que aquilo com que cobrimos o corpo. Contudo, sinto também uma necessidade de normalidade e, muitas vezes, apetece-me fugir das notícias, alienar-me um bocadinho e publicar um post sobre roupinhas... 

Ora, vamos lá então! A quem interesse e a quem nunca sabe o que vestir (mesmo tendo o armário cheio), o que posso dizer é que se socorra dos lenços e écharpes para colorir o dia e proteger-se do friozinho que às vezes nos surpreende nestes dias de outono.

O resto é o que nunca me  falha-uma camisola básica branca, jeans (neste dia estava com um jeggings da HM-compro um tamanho acima para não ficarem muito justos e são muito confortáveis) e um blazer muito antigo que vai sempre bem com tudo.

Detalhes:

-T-shirt  da Mango (esta)  Gosto quando são Committed  porque são produtos que foram confecionados com fibras e/ou processos de produção sustentáveis que contribuem para a redução do impacto ambiental.

- Jegging H&M (estes) São confortáveis e tens os bolos da frente cosidos (gosto disso).

- Botins desta estação da Zara (estes) Foram uma boa compra e combinam com tudo.

- Lenço- este é Bimba y Lola (mas de uma  coleção antiga).




 

14 setembro 2020

As fotos e a minha vida como ela é

setembro 14, 2020 2
As fotos e a minha vida como ela é


Estas duas fotos foram tiradas na sexta-feira.
Uma depois da praia, com restos de protetor solar na cara, calções, t-shirt amarrotada (tinha andado por dentro dos calções) chinelo no pé, cabelo salgado e sem pose.
Outra, uma hora depois, banho tomado, maquilhada (pouco como eu gosto) e a fazer pose para o meu fotógrafo preferido.
Sou, como todas as mulheres, muitas. Nas redes sociais, quando vamos trabalhar ou ao supermercado, mostramos o que queremos, mas importa é sabermos quem  somos e não recearmos assumir como nos sentimos bem. 
Se queremos andar de saltos e não estamos a sofrer por isso- muito bem. Se nos apetece andar confortável e só usamos sapatilhas- formidável. Se não saímos de casa sem batom- ótimo. Se gostamos é da nossa cara ao natural-maravilhoso. Se pintamos o cabelo sempre que um branco se avista- que bom. Se adoramos os nossos brancos e os assumimos- estupendo.
Claro que não há mulheres perfeitas (mas quase, mas quase 😊), mas ficamos todas mais bonitas  se formos é verdadeiras com quem mais importa - nós.
As fotos são um mero clique de um dia (e que é  muitas vezes ensaiado) e os disparos essenciais, importa não esquecermos, não são os que o obturador efetua.

06 setembro 2020

A festa fez-se! A festa faz-se!

setembro 06, 2020 8
A festa fez-se! A festa faz-se!






Quem me tem acompanhado, sabe que há muito que escrevo sobre o dia em que faria a Festa do Sagrado Coração de Jesus. Sabem, é como se fosse um marco na nossa vida, pois na Paróquia de Maceira (concelho de Leiria) as pessoas que fazem cinquenta anos organizam a festa para toda a freguesia.
Ora pois eu, como miúda de aldeia que sou, mesmo não sabendo apanhar murta nem enfeitar os bolos dos andores, sempre vibrei com os festejos do Sagrado em que toda a freguesia se junta, em que se convive e em que se agradece a caminhada.

Neste ano atípico, em que os abraços nos fogem, em que me sinto tanta vez apalermada por não saber se ponho a máscara ou não na rua, em que o álcool gel substituiu o creme de mãos na minha carteira, em que tenho tanta vez medo de fazer mal aos outros, cabia-me a mim e aos nascidos no ano de 1970 organizar a festa.  Escolhemos a cor laranja para as nossas camisolas,tínhamos ideias, vontade e energia, mas não foi possível festejar como imagináramos.

Contudo, a festa fez-se! Sem azedumes nem mágoas, com o apoio da Paróquia e da comunidade que apareceu com máscara e respeitando o devido distanciamento social, com a maravilhosa Filarmónica de Maceira, com passadeiras de murta a perfumar o ar, com bolos de festa  que sabem a erva doce, com a Missa Campal para nos lembrar que a verdadeira festa se faz nos nossos corações.

Hoje, agradeci. Agradeci à Nossa Senhora da Luz e ao Sagrado Coração de Jesus o ter feito esta caminhada que me trouxe aqui, a família que tenho, os amigos que gostam de mim e os novos amigos que fiz entre tantos que nasceram no meu ano  (e que eu mal conhecia).

Emocionei-me hoje muitas vezes e sabem, tive a oportunidade de ir ler um texto que escrevi onde expressei muito do que vive cá dentro e senti-me muito afortunada por o poder fazer (obrigada aos meus amigos de 70 pela confiança).

O texto terminava assim...

E neste ano atípico, estes são os festejos do Sagrado Coração de Jesus
dos Nascidos em 1970 da freguesia de Maceira. Acreditem que temos o
nosso coração cheio de alegria e celebraremos sempre a amizade, a
entreajuda e o companheirismo que nasceu e vive neste nosso grupo.
Obrigada por celebrarem connosco e permitam-nos terminar com as
palavras do Papa Francisco.
Num mundo “oprimido pela pandemia, que coloca uma dura prova à nossa
grande família humana” é preciso responder “com o contágio da
esperança”.
Nós, nascidos em 1970, uns jovens de cinquenta anos, somos
ESPERANÇA!

A pandemia trocou-nos as voltas, mas não me há de trocar esta que eu sou e que reconhece e agradece as pequenas (grandes) coisas. Amigos que me lêem, a  festa fez-se! A festa faz-se!