.

05 agosto 2020

Férias 2020- Alto Minho

agosto 05, 2020 4
Férias 2020- Alto Minho
Tinha esta vontade- fugir para um sítio onde nunca tivéssemos ido os quatro juntos, ir ao encontro de verde e de águas frescas, ajudar como pudéssemos a economia local e foi muito fácil convencê-los a trocar o Algarve pelo Alto Minho.
Divulguei um bocadinho no Instagram (menos do que estes lugares mereciam, mas  precisei de ficar mais tempo offline) e faço-o por aqui para abrir o apetite a quem esteja ainda à procura de ideias para férias ou para uma escapadinha.
Não nos arrependemos um minuto de termos trocado a praia pelo campo (e eu sou muito fã de praia) e confesso que foi das férias onde senti que fizemos mais coisas- piqueniques, jogos de cartas, mergulhos em lugares onde só estávamos nós, passeios no verde, paddle, visita a lugares com história, restaurantes com comida maravilhosa (e a preços simpáticos) e muitas gargalhadas.
Não vos quero maçar com mil e uma fotos (lembram-se daqueles jantares onde nos põem a ver fotos de férias e a nós só nos apetece ir embora?) e impus-me a mim quinze fotos (falhei por uma) que mostram um bocadinho. das nossas férias. Espero que vos faça querer ir!

Nota: Há mais no meu Instagram- aqui e tirámos muitas ideias no blogue Vagamundos- aqui

                                             Arcos de Valvedez


Mezio




Mezio-vista panorâmica para o Parque Nacional da Peneda-Gerês

Soajo


Passadiços do Sistelo



Ponte da Barca

Ponte de Lima

Lindoso




19 julho 2020

Aos anjos que partem, aos pais-heróis que ficam...

julho 19, 2020 2
Aos anjos que partem, aos  pais-heróis que ficam...

Foto tirada no verão de 1985 e numa moldura que me acompanha desde então

Provavelmente este post perder-se-á entre tanta partilha de momentos de hoje passados na praia, entre queixas sobre a Covid-19 que não parece dar tréguas, entre fotos que atestam altas temperaturas, notícias de última hora e entre o tanto e o pouco que faz a vida acontecer.
Falamos tanto na vida, não é? Será para esquecermos a morte que é, como sempre me lembro de ouvir, a única certeza da vida? Talvez seja porque assim tem mesmo de ser.

Hoje, na rotina dos dias, ao limpar o pó, deparei-me com um anjo que comprei a um artesão numa aldeia da Eslováquia e tive vontade de escrever sobre morte. Não sei ainda o que sairá sobre este tema tão duro (o mais duro) e sei que não escreverei nada de importante sobre a inimaginável dor dos pais em luto, mas às vezes parece que os textos têm vontade própria...

A primeira morte que me marcou seriamente foi a do meu primo Márito.  Eu tinha dezasseis anos, éramos vizinhos e ele tinha menos um ano do que eu. Uma leucemia levou-o numa altura em que ainda se receava falar da palavra cancro . Sempre tive pudor de falar do que sofri na altura,  porque  eu nunca até então vira uma dor tão grande espelhada nos olhos de alguém como vi nos seus pais e soube logo que a minha dor era ínfima perto da deles.

Esta semana partiu o João Pedro. Atleta, amigo de todos, num ápice foi embora sem sequer ter tido oportunidade de lutar; e a concretizar o maior pesadelo que assombra a nossa mente quando temos um filho " E se...".

Infelizmente, conheço vários pais que perderam filhos e tenho por eles uma admiração sem limites. Não imagino a dor, não sei como sobrevivem, mas acredito que o fazem, também, pelos seus  meninos-anjos que partiram- são verdadeiros pais-heróis sem nunca o quererem ter sido.

É raro o dia em que não pense nas mães que conheço pessoalmente e que perderam os seus meninos; rezo sempre para que uma brisa de conforto as ajude a aliviar um pouco a dor de uma ferida que dificilmente cicatrizará. Não há maior dor, diz o povo. E eu acredito.

Escrevi quatro parágrafos e parece que não disse nada... Deixem-me então socorrer-me das palavras do escritor Luís Osório - "a dor ficará sempre para um dos poucos estados para o qual nem sequer existem palavras. Acredito que se pode mitigar, tornar o horror suportável. O apaziguamento depois da morte de um filho só pode ser conquistado quando a dor se torna outra vez viva, uma celebração da vida e, dessa maneira, uma celebração da memória viva de quem partiu".


Um abraço enorme para a família e amigos do João Pedro; um mais apertado para os pais.

14 julho 2020

O Ti Quim da Mata- os heróis moram aqui ao lado

julho 14, 2020 8
O Ti Quim da Mata- os heróis moram aqui ao lado

Já o escrevi outras vezes- gosto de histórias de pessoas que se superam, que enfrentam a vida com sorrisos e generosidade, que não são famosas e nem receberão medalhas de mérito, mas que me inspiram a mudar e a ser mais.

Pessoas com (aparentemente) aparência  e vida perfeitas, com " Ai que eu sou tão bom e conduzo um carro tão caro" nunca me disseram nada. Já as pessoas com vida dentro e doçura acrescentam-me muito e quando assim é, gosto de partilhar as suas histórias.

O Ti Quim da Mata é uma dessas pessoas. Mora a três casas da casa que foi dos meus pais, tem o rosto tisnado pelo sol e apenas o seu corpo é seco, pois  como se fosse um ovo mole de Aveiro, por dentro é cheio de doçura.

Já andava com este texto na cabeça há uns tempos, desde que no mês passado, enquanto passeávamos os quatro pelos pinhais perto de casa, o encontrámos a cavar um terreno quase limpo de mato. Passei por ele, cumprimentei-o ao longe, mas tive de voltar para trás.

O terreno dele era o único limpíssimo e sem  um bocadinho de mato e perguntei-lhe se fora ele quem o limpara. Ele nem percebeu bem como era possível eu estar a perguntar se fora ele- "Pois claro que fora ele, quem haveria de ser? "  e  perante o meu olhar espantado acrescentou para me tranquilizar " Mas não foi tudo hoje...".

Ora eu, que mal me baixo para arrancar as ervas daninhas que invadem o jardim,  que tenho laranjeiras com sede no quintal, que me queixo que o cabo do sacho me magoa as mãos, arregalei os olhos e perguntei-lhe a idade. " Faço noventa em agosto" respondeu-me o ti Quim com lágrimas nos olhos.

Despedi-me e guardei a imagem dele na cabeça e no meu coração pois sei que a hei-de ir buscar muitas vezes, quando eu me sentir mais frágil e precisar de ganhar força para enfrentar algum dia mais escuro.

O Ti Quim da Mata  trabalhou a vida inteira,  é base de mulher, filhos e netos, é generoso e quer pagar sempre um café ou uma bebida a toda a gente, pergunta sempre como estamos e nunca se esquece de nos desejar "saudinha! Perdeu um filho querido este ano, mas nem a  dor profunda o azedou.

O Ti Quim anda de bicicleta em vez de carro, usa as roupas de sempre e um chapéu de palha quando está sol e não sabe que, mesmo não sabendo nada de Camões, de Pessoa ou de Sophia, ele é pura poesia e já é um dos Poemas da minha vida.




24 junho 2020

Cheguei aos cinquenta!

junho 24, 2020 12
Cheguei aos cinquenta!






Cheguei aos cinquenta e é maravilhoso. Tenho saúde e mesmo tendo os planos que fizera caído por terra, não me consigo sentir triste por isso.
Pensei que ia ter um dia quase normal, mas esqueci-me das novas ferramentas que o digital nos trouxe- duas festas de anos online, vídeos e muitas mensagens. 
Não comprei bolo de aniversário, mas tive um logo pequeno- almoço que a Equipa do Luz Houses me preparou  e outro que a minha amiga Padina Silva com tanto carinho fez e me ofereceu.
Estragaram-me com mimos. E eu tentei estragar-me com mimos também a mim.
Alindei-me e preparei-me para o que vier.
Estou infinitamente grata por ter chegado aqui.
Acompanham-me?


12 maio 2020

Eu e o peso-filosofia em saldos

maio 12, 2020 4
Eu e o peso-filosofia em saldos


Nestes dias, em que não tenho andado no corre-corre de levar o Miguel para aqui e acoli, em que não preparo lanches saudáveis e almoço para levar para a escola, em que tenho tido mais tempo para experimentar novos pratos e sabores que agradem aos meus rapazes, tem sido uma luta não ganhar muito peso.
Confesso que o ponteiro da balança já se mexeu nestes dias (e não a meu favor) e ando atentar, como sempre, ser regrada nestes tempos em que as rotinas são outras. Há quem me diga que é só um quilo, para não me importar, mas eu sei que se deixarmos um quilo acumular e outro, e só mais outro, a tarefa não fica mais fácil.
Eu não defendo que todas as mulheres devem ser magras e não acho que para uma mulher ser saudável, tenha que ter as medidas xpto. Nada disso.  Tenho até uma amiga que defende que se nós nos preocupamos muito com o aspeto exterior é porque não gostamos do nosso interior e outra já me aconselhou a aceitar, a deixar-me ir, porque a partir de uma certa idade não haverá nada a fazer.
São caminhos e eu respeito o caminho de cada um, mas sei também que posso optar por  não seguir o caminho dos outros  e escolher o meu.
Quanto a mim, sei-me de cor e sei que sempre que tenho peso a mais, compro mais roupa que depois não uso,  porque não gosto de me ver com nada, tenho digestões mais difíceis, apetece-me mais sofá e fico menos enérgica.  
Às vezes (muitas vezes, aliás) não queria ser assim, um tanto ou quanto obcecada com o peso, a fugir do pão com manteiga que tanto me conforta, a não conseguir provar de tudo nas festas como os outros fazem, porque há uma culpa que paira, mas sei que fico imensamente mais triste nos dias em que os botões dos meus jeans ou dos meus vestidos já não apertam e, por isso, esforço-me por seguir este caminho. Opto por legumes em vez de arroz e batatas, fujo do pão que adoro, escolho fruta e cenouras em vez de bolachas, faço bolos saudáveis, pesquiso e  informo-me sobre alimentação saudável.  Danço, procuro no Youtube exercícios, ando a pé e tento dar luta a uma genética que me persegue desde que era novinha. Tem sido assim há anos e não consigo aqui assegurar que vai ser assim para sempre, mas para já recuso-me a culpar o metabolismo e fujo das desculpas  

O meu filho Miguel, quando tinha dez anos, com a sua psicologia Disney, explicou muito bem o que procuro fazer:  
- Mãe, o que é que uma foca magra diz para uma foca gorda?  
- Não sei...  
- Diz: Se queres perder peso, foca-te nisso!  

Focada, mas sem pressão desmesurada, é assim que tento viver. Este é o meu caminho. Procurem o vosso, ele será, certamente, aquele que vos faz viver melhor e mais feliz.

07 maio 2020

Subidas, o teste da agulha e a vida como ela é

maio 07, 2020 7
Subidas, o teste da agulha e a vida como ela é


Tirei esta foto ontem. Estava a começar a subir este caminho que fica num dos lugares mais bonitos da minha aldeia, quando a memória voltou... Aconteceu há quase vinte anos, mas volta sempre que vou à Fontinha.

Era julho do ano 2000 e não sei qual foi o acontecimento, mas sei que estava bastante gente da minha aldeia e que talvez decorresse um piquenique, uns festejos...Não consigo precisar bem, mas por outro lado, recordo com todos os pormenores que os homens estavam para um lado e eu estava fascinada a ver as mulheres a fazerem um teste com uma agulha em que se adivinhava  quantos filhos iriam ter e o respetivo sexo.
Eu estava a um mês de ter o Gonçalo, resolvi abrir também a minha mão e deixar que me fizessem o Teste da Agulha- aí se veria quantos filhos iria ter (seria até a agulha parar) e o sexo dos bebés (se a agulha fizesse círculo seria rapariga, se andasse em linha recta, não haveria dúvida que seria rapaz).Tinha batido certo com todas as mulheres. Certamente que comigo também não falharia- e eu sempre ouvira dizer que há coisas que não se explicam. 
Mão aberta, lá começou a agulha: primeira vez, um círculo perfeito; segunda vez, a agulha de forma vertical. E parou. Duas vezes e parou.
Fiquei arrepiada e disse que não poderia ser.  A agulha enganara-se! Eu estava à espera de um rapaz e não de uma menina!
 A resposta que se seguiu, gelou-me:
- Ah! a agulha está certa. A primeira vez foi uma menina e foi o bebé que perdeste. A segunda é agora, o rapaz que estás à espera.

Talvez tenha sorrido, sei que não disse nada e comecei a subir o caminho. Estava pesada, inchada, mas sentia-me com uma  estranha força que me fez fugir dali e só parar quando ao lado vi o Luís, de carro, a abrir a porta para eu entrar.

Entrei.  E desabei. E procurei esquecer.
Nunca esqueci, mas tenho um especial agrado em ver que o mistério da agulha não bateu certo comigo.

Nesse dia, aprendi duas coisas: a não dar muita importância a superstições (ainda tive mais duas gravidezes e de uma resultou o Miguel) e que, mesmo que os Xutos o cantem, a vida não é sempre a perder!




03 maio 2020

Dia perfeito.Dia imperfeito

maio 03, 2020 5
Dia perfeito.Dia imperfeito
~

Hoje, neste dia em que se celebra ser mãe, nunca consigo ser completamente feliz... Não tenho a mania que sou boazinha, mas talvez por estar tão grata pelos meus dois filhos,depois de duas gravidezes que não correram bem (não é para terem pena de mim que o digo, mas para saberem que não há vidas perfeitas), nunca consigo festejar este dia sem lágrimas nos olhos. 
para além disso, na minha cabeça e no meu coração vivem demasiadas histórias reais de mulheres que não conseguem/ conseguiram ser mães, de mães que viram partir o seu Amor maior, de mães que estão hoje em lares e não percebem a razão dos seus filhos não as visitarem, da Ana que não vê (será que vê?) os seus meninos cresceram, da Fernanda... 
A Fernanda foi da minha turma no 12º ano, vinha de Pombal para Leiria todos os dias, era doce, esguia, de porte elegante e tinha uns meigos olhos. Eu nunca mais tinha sabido dela, mas recordava-a bem e soube a história dela num encontro com amigas do Liceu. Contaram-me que a Fernanda estava grávida do segundo filho quando descobriam que tinha, para além de um bebé a crescer, um estúpido de um tumor cerebral. A Fernanda escolheu o filho que ainda tinha dentro de si. Disse não à operação e à quimioterapia e, após dar a vida, ficou sem a sua. 

Fernanda. Ana. Dulce. Martine. Cristina. Esmeralda e tantos mais nomes que tenho na ideia, mas que não quero expor aqui... Fingimos que não aconteceu, nada dizemos, puxamos as conversas para o outro lado e seguimos em frente procurando esquecer. 
Neste dia, nunca o consigo fazer. E, também por isso, não sou de grandes presentes ou de manifestações no Dia da Mãe (os meus filhos deram-me o que mais gosto de receber- textos escritos por eles e o meu direito a escolher a música que hoje se ouve cá em casa).  

Na televisão, no Facebook, no Instagram tudo parece hoje um dia repleto de amor e ternura. Para mim, que sou uma mulher cheia de sorte, nunca conseguirei que seja mais do que agridoce. 


Foto-flores da florista ao lado de casa.

30 abril 2020

A vida não se adia

abril 30, 2020 0
A vida não se adia
Quando pensava que ia fazer cinquenta anos, era quase certo que me vinha ao pensamento a festa do Sagrado Coração de Jesus de Maceira, organizada na Maceira por quem faz cinquenta anos.

Ora pois bem, iria acontecer em setembro e as coisas estavam a ser preparadas. Fui a algumas reuniões, ajudei no que o meu tempo e capacidades deixavam e testemunhei o entusiasmo de pessoas que queriam fazer mesmo uma grande Festa que agora, dificilmente, irá acontecer como  se  previa.
É só uma festa, dirão. É, mas fica assim um sentimento de não cumprir algo que achávamos ser nossa responsabilidade... O que fazer?

Penso também nos casamentos que estavam a ser preparados, nos vestidos que se compraram  para um dia de verão e que terão de ser acompanhados por um casaco quentinho agora...
Sorrio também quando lembro os planos que tinha feito para passar o dia em que fizesse cinquenta anos e as discussões sobre as férias (viagem de carro pela França? Berlim?) que agora me parecem tão comezinhas.

Assim é a vida a acontecer. Por mais planos que façamos, deveríamos aprender  que controlamos menos do que pensamos e que, se algo não correr como estamos a prever, resta-nos aceitar, prosseguir e valorizar ainda mais os encontros com os outros. A vida está à nossa espera todos os dia. E é certo de que não nos vale de nada ficar azedos e a remoer no que poderia ter acontecido.

A minha decisão está tomada. Recuso-me a ficar triste pelo que não se vai concretizar quando planeei; prefiro antes acreditar que terei ainda muitos momentos felizes à minha espera e tenho a certeza de que os vou viver (ainda) mais intensamente. Adiam-se festas e casamentos, mas a vida...essa nunca poderá ser adiada!


Nota: A foto que se segue foi-me enviada. Sou eu com a t-shirt dos organizadores da Festa do Sagrado Coração de Jesus, tirada no dia 15 de fevereiro deste ano, num evento que organizámos. Estive de serviço no Bar (adoro tirar imperiais e tenho a mania que o faço muito bem :). Olho para a foto e sorrio-  somos tantos dentro de nós, não somos?