A (minha) filosofia barata - gira aos quarenta

20 abril 2018

A (minha) filosofia barata





À medida que o tempo passa vai passando há duas coisas que tenho vindo a descobrir em mim: gosto de me isolar no meu casulo sempre que ando mais triste, mas tenho também uma enorme capacidade de ir buscar alento à coragem que os outros demonstram em situações mais difíceis do que aquelas que vivo.

Eu explico melhor. Hoje foi um dia triste aqui por casa porque o Luís voltou de novo para a Irlanda e eu nunca me irei habituar aos dias de despedidas. A primeira reação que tenho é querer apenas deitar-me no sofá, com a cadela aos pés, a ver filmes dramáticos que me ajudem a desatar o nó com que fico na garganta. Raramente o faço. Melhor, forço-me a não o fazer. Reajo, levanto-me, enxugo lágrimas e deixo de olhar apenas para o meu umbigo. Como dizia Camilo Castelo Branco, a saudade dos vivos é dor suave. E as minhas despedidas são um até já.
Afinal, como poderei eu sentir-me infeliz se há mães que se despediram dos filhos para sempre? Como poderei eu sentir-me miserável se há ao meu lado quem lute pela vida, dolorosamente, e não se queixe? Como poderei eu sentir-me a mais infeliz do mundo se estou rodeada de amor?

Já escrevi por aqui que não há vidas cem por cento felizes. Há vidas mais felizes do  que outras, é certo, mas achar que a blogger que aparece sempre sorridente não tem momentos tristes, ou que a modelo com o corpo mais espetacular não tem as suas inseguranças, é um engano. Cabe-nos é a nós valorizar mais os momentos felizes e tentar relativizar os mais penosos. O mais difícil, parece-me a mim, é encontrar a estratégia certa. Eu procuro pôr em prática a minha,  que se pode resumir a isto:

- Não invejar a felicidade dos outros, mas ficar verdadeiramente feliz por eles;
- Agradecer os meus momentos felizes;
- Respeitar e compreender os sofrimento dos outros;
- Ser generosa com os abraços;
- Buscar alento e inspiração na capacidade de enfrentar a vida de tantas pessoas que nos rodeiam (um tio, o nosso vizinho, o colega de trabalho, uma criança...).


Ok, talvez seja filosofia (ou psicologia) barata, mas é a minha e deixo-a aqui. E afinal nem é barata, é mesmo de graça!

texto publicado a 8 de abril de 2018


4 comentários:

  1. Sofia,
    acredites, ou não, a tua (gratuita) filosofia de vida é também a minha. E tento sempre incutir essa visão a quem me rodeia. Muitas vezes incompreendida, mas é assim que gosto de encarar os dias menos bons ❤

    Coragem! Logo, logo ele está de volta!

    Beijinho
    Carla

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  2. Olá Sofia! Acredite que a sua, é sem sombra de dúvida a melhor filosofia de vida! E que bom fazer esta partilha conosco:) Beijinho grande!

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  3. Querida Manuela,
    Ainda uso as pulseiras que me ofereceste.
    Beijinhos,
    Sofia

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