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14 agosto 2018

Quando a estrangeira sou eu-parte II

agosto 14, 2018 0
Quando a estrangeira sou eu-parte II

Para percebermos um país é preciso conhecer a sua história. Não (me) basta dizer que os eslovacos são reservados e frios, é necessário assumir as nossas diferenças, perceber e aceitar (ou pelo menos tentar aceitar). Aposto que eles também estranham o facto de falarmos e rirmos tão alto, de parecer que estamos sempre em festa, de sorrirmos demasiado para quem não conhecemos...

Na terceira semana por cá o que tenho notado é que a geração mais jovem é mais recetiva a quem vem de fora. Ao lado da casa onde moro há um parque infantil e as mães já me cumprimentam (ajuda o facto de eu ter aprendido a a dizer "olá" em eslovaco) e há muitos jovens a falar inglês- até 1993 eles aprendiam na escola russo e alemão.

No sábado, marcámos uma visita guiada na Authentic Slovakia  para conhecermos mais a história do que foi a Eslováquia no seu período comunista. Como o Miguel vai para o 9º ano, achamos que seria duplamente interessante para ele (e foi!). A visita foi feita num Skoda original da época e visitámos os locais ligados à época do período comunista (monumentos, bairros, símbolos...).  O facto é que a Eslováquia é um país mais aberto aos outros apenas desde 1993 e vinte e cinco anos é muito pouco tempo na história de um país. Claro que para os mais velhos, que viveram a maior parte da sua vida fechados aos outros, seja estranho esta gente que vem de fora, fala alto e sorri por tudo e por nada.
No domingo, banhos e piquenique no lago e  um jogo de futebol (não é o desporto preferido dos eslovacos, aqui vibra-se mais com o hóquei no gelo). 

Foi um fim de semana bom.  Os fins de semana para nós, sempre que estamos separados, são os dias mais difíceis da semana, mas, o lado positivo do Luís trabalhar fora é (também) este- poder estar e conhecer um país sem pressas e converter fins de semana em balões de oxigénio para quando estivermos mais tristes. Todos precisamos dos nossos balões, não é verdade?


 









13 agosto 2018

Celebrar

agosto 13, 2018 4
Celebrar


O Gonçalo faz hoje dezoito anos. O cliché do costume "mas como é que o tempo passou a voar?"...
Hoje festejaremos os quatro, mas na sexta fá-lo-á com os amigos e no sábado teremos um almoço em nossa casa com os que o viram crescer.
Para já, levantei-me cedo e passei a papel o que tenho andado a escrevinhar (comprei um livrinho para lhe escrever o que não consigo dizer oralmente) , preparo o almoço (inclui pão de alho e pizza de chocolate- sim, existe) e um bolo de iogurte para cantarmos os parabéns.

À tarde iremos os três ao lago e eu vou mergulhar com ele e ficar preocupada sempre que ele mandar um mergulho (mas nunca mais vem acima?). Jantaremos os quatro num sítio qualquer da cidade (de preferência à beira do rio) e eu vou dizer-lhe que, por mais que ele cresça e eu diminua de tamanho, arranjarei sempre forma de o abraçar e de lhe dar o colo que ele precisar.

09 agosto 2018

A princesa que eu não sou

agosto 09, 2018 2
A princesa que eu não sou

Meço um metro e meio. Cento e cinquenta centímetros. E durante anos (mais de metade da minha vida) desejei ser mais alta. Tenho quarenta e oito anos e só há pouco tempo fiz as pazes com o facto de ser baixinha- que palermice, digo agora!

Aliado ao facto de ser pequenina, tive sempre um ar "fofinho" que nunca quis ter. No outro dia uma miúda muito amiga disse-me que eu estava bonita, que estava fofinha. Eu disse-lhe, com sinceridade, que eu não gosto de ser fofinha.

A verdade é que eu não gosto de peluches, de bonequinhos e coisinhas tais, de velas no quarto ou pétalas na cama, não sou grande apreciadora de nomes cutchi-cuxi e (surpresa) não vibro quando o marido me oferece flores (entretanto informei-o e ele já não oferece). 

Mas escrevia eu sobre a minha altura- atualmente não me chateia nada o que meço. Sou assim e gosto. No entanto,  continuo a não gostar de ser vista como fofinha, porque é algo que eu não sou. 

E o que é que eu sou?
Sou mais cinza do que rosa.
Sou mais complicada do que simples.
Sou mais "beija-me com força" do que "dá-me um beijinho".

Eu não sou uma princesa. Eu sou uma mulher.

07 agosto 2018

3 tendências que me envelhecem

agosto 07, 2018 1
3 tendências que me envelhecem
As lojas já estão com as novas tendências para o outono-inverno, mas já sei as que não irei usar. 

Padrão leopardo- a única peça que tenho com padrão leopardo é um cinto fininho e não consigo deixar de achar que demasiado animal print me dá um ar vulgar(piroso, vá);

Padrões florais- flores pequeninas podes ser, mas confesso que prefiro padrões orientais e mesmo assim tudo muito discreto- acho sempre que estampados muito fortes me fazem parecer dez anos mais velha;

Castanho- as lojas estão inundadas de castanho, mas é cor que não é para mim.



Tudo Zara Outono-Inverno 2018


T-shirt que deixa bronzear...olha que bela ideia!

agosto 07, 2018 0
T-shirt que deixa bronzear...olha que bela ideia!

O Gonçalo não gosta muito de aparecer por aqui, mas quando lhe pedi para publicar uma foto com a t-shirt preferida deste verão, acedeu sem queixumes. É a que ele mais tem usado por aqui, porque permite-lhe ficar bronzeado e sem marcas nos braços.

A t-shirt está à venta no site e foi criada pela minha prima Daniela Francisco, a miúda mais cool da família. Podem ler mais sobre o assunto aqui.
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06 agosto 2018

Uma família com esperança- Bratislava #2

agosto 06, 2018 0
Uma família com esperança- Bratislava #2

Bratislava (centro da cidade) é uma cidade muito fácil de visitar: é pequena, mas cheia de história(s), os preços são bem mais baixos do que na vizinha Viena e trata bem os seus turistas. Se o Luís não estivesse cá, talvez não passássemos por aqui mais do que duas ou três noites, mas está a valer a pena descobrir esta cidade, devagarinho, sem pressas...

Certa vez disse aos meus filhos que eram importante construirmos memórias felizes (devo ter roubado a frase algures). Desde essa altura, quando lhes interessa, utilizam o que eu disse para me/nos convencerem a fazer algo. Foi assim que me vi em cima de um segway, durante hora e meia, e conheci um bocadinho de Bratislava. Segundo a guia, eu fui a Mami mais cool que apareceu por ali em cima de um segway, mas não me posso fiar muito no elogio, porque desconfio que deve dizer o mesmo a todas as mãe:). A verdade é que gostei bastante da experiência e serviu-me de lição: é tão bom perder receios e deixar-me levar...

















Nota: As fotos não foram editada de propósito- estou  de férias por um lado e,  por outro, ando farta de fotos retocadas e cheias de filtros.


03 agosto 2018

Quando a estrangeira sou eu #1

agosto 03, 2018 1
Quando a estrangeira sou eu #1


As imagens que publico no Instagram refletem uma parte ínfima do meu dia e, acreditem, uma parte que nem é a mais importante.Talvez seja assim com todas as pessoas, porque o que se passa de mais escuro, o que incomoda, o que nos fica a remoer no estômago não é, quase nunca,  fotografável. E,  por isso, é que nada substituirá este meu espaço, o meu blogue-balão de oxigénio, que me permite escrever o que se passa cá dentro. Aí vamos nós, então!


A Eslováquia é o quarto país para onde o Luís vai em trabalho. Estivemos dois meses com ele em Angola (a trinta quilómetros do Sumbe), em Widnes (entre Manchester e Liverpool), em New Ross (Irlanda) e estamos agora a quinze minutos do centro de Bratislava.

Estamos cá há uma semana e, como o Luís trabalha, depois do almoço eu e os meus dois rapazes temos apanhado o autocarro para ir explorar a cidade. Ora aí está- apanhar o autocarro, o busílis da questão que nos tem provocado calafrios e que ontem deu direito a lágrimas nos olhos e a incómodo que (ainda) não consegui que passasse.

Segunda-feira entrámos no autocarro, dirigi-me ao motorista para comprar os bilhetes; este simplesmente ignorou-nos, repeti que queria bilhetes, ele nem olhou para nós e arrancou. Sentámo-nos, incrédulos, e fizemos a viagem sem bilhete e sem pagar.
Terça-feira entrámos no autocarro, dirigi-me ao motorista e este vendeu-nos os bilhetes sem problema.
Quarta-feira entrámos no autocarro, um motorista vendeu-nos os bilhetes, mas parecia zangado connosco, falou connosco em eslovaco bastante alto, nós falámos em inglês e ele continuou a falar (ralhar?) o que nos levou a achar que deveríamos passar a comprar bilhetes com antecedência.

Ontem, quinta-feira à tarde, entrámos no autocarro, com os nossos bilhetes pré-comprados, o motorista ralhou connosco (se não ralhou, parecia), fez-nos levantar do lugar, deu-nos, com um ar de frete, um recibo e ficámos a pensar que não, se calhar não deveríamos ter usado o pré-comprado (O Gonçalo pensa que os pré-comprados não dão para esta zona da cidade).

Hoje, ainda não sei como faremos.

Paralelamente, há o que me aconteceu ontem de manhã.
Oito horas da manhã, entrei no autocarro, comprei o bilhete ao motorista e correu tudo bem. Segui para o elétrico (muito cómodos e com ar condicionado) e fui para o centro da cidade. Correu tudo tão bem e eu estava muito orgulhosa- vês, Gonçalo? A tua mãe sabe desenvencilhar-se sozinha!
Cerca das onze e meia, resolvi voltar para casa. Era a primeira vez que o fazia, porque o Luís tem-nos ido buscar de carro ao final do dia. O Gonçalo explicara-me de véspera como o fazer-tinha de apanhar o 525. 
Cheguei à paragem e na placa não constava o número pretendido. Pedi ajuda a uma mulher jovem e ela disse-me, depois de consultar os horários, que poderia apanhar o 610. Quando chegou o 610, entrei e perguntei ao motorista se ia para o local onde moramos. Só ouvi gritar:NIE! Repeti duas vezes o nome da localidade (sem uma palavra de inglês para não o incomodar) e ele voltou a gritar, quase explodindo,vermelho, colérico, enfurecido :NIE! NIE! NIE! Cada NIE era um vai-te embora, sai daqui, não me chateies.As lágrimas apareceram-me nos olhos, desci rapidamente, ele arrancou furioso. Desisti e pedi ajuda ao Luís para que, na hora de almoço, me fosse buscar( acima a foto que eu lhe mandei do local onde eu estava).

Temos falado muito com os miúdos sobre xenofobia e isto de ser discriminado. A verdade é que, por aqui, com exeção dos locais onde vamos no centro da cidade e onde  nos tratam bem (talvez por estarem mais habituados a turistas), não nos sentimos muito bem recebidos*. O Gonçalo pensa/pensava que em Portugal um motorista nunca falaria assim com alguém. Eu lembrei-o da jovem colombiana que foi esmurrada no Porto com frases  "Preta de merda, queres apanhar um autocarro?  Vai para o teu país!".


E sim, infelizmente também acontece em Portugal.  Eu é que nunca tinha passado por isto. Foram dois ou três minutos em muitas horas de vida. Não consigo imaginar a angústia de tantas pessoas  que são vítimas de discriminação/racismo/xenofobia todos os dias da sua vida.

Que sirva de exemplo aos meus filhos e que deixe a pensar quem me lê.

 * Eu sei que só passou uma semana, mas para já é isto.



31 julho 2018

5 vestidos-camisa que podiam entrar no meu armário

julho 31, 2018 1
5 vestidos-camisa que podiam entrar no meu armário
Já fui mais menina para vestidos curtos e  com folhinhos. Aindo uso os que tenho no armário, mas cada vez gosto mais (e chamem-me maluquinha, mas acho que são tão sensuais) de vestido-camisa.
Querem ver que me estou a tornar numa miúda crescida?

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VESTIDO COM CINTO E BOTÕES
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VESTIDO CAMISEIRO RISCAS
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CAMISA VESTIDO
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